Religiosos querem criar a Pastoral da Moradia
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quinta-feira, 11 de junho de 1998
Lucilia Okamura 
A construção de 13 casas e a doação de material para erguer outras residências no Jardim Santa Fé (zona leste de Londrina). Este é o saldo do trabalho organizado por um grupo de religiosos que pretende agora estruturar a Pastoral da Moradia na Cidade.
A construção de casas no bairro foi feita em sistema de mutirão e utilizando basicamente material reaproveitado - retirado de casas que seriam demolidas. Uma das coordenadoras do projeto, irmã Tânia Regina Micheletti, explica que quando o trabalho começou a ser desenvolvido, em dezembro de 1996, recebia o nome de Onde Moras. Depois, devido a alguns problemas, houve uma cisão no grupo e o projeto foi reavaliado, revela.
Irmã Tânia observa que, além do reaproveitamento de material, a construção das casas foi possível graças a doações de empresas, paróquias e da Cáritas da Arquidiocese de Londrina. A Cáritas é o setor que cuida de programas sociais da Igreja Católica. A construção de cada casa saiu por cerca de R$ 1,3 mil.
Gelson Ailton Gil, também da coordenação do projeto, explica que foram feitas reuniões com as famílias participantes e cada uma delas se comprometeu a trabalhar 80 horas por mês em sistema de mutirão. As famílias receberam uma cesta básica mensal como ajuda. Na época, as cestas foram doadas pela Sercomtel.
As famílias atendidas têm o mesmo perfil: são de baixa renda, a maioria não tem emprego fixo e o número de filhos é grande. Segundo Gelson Gil, foi feito também um trabalho junto a estas famílias. Não queríamos apenas construir casas, mas ajudar a criar uma unidade de família, ressalta.
Irmã Tânia revela que no início dos trabalhos houve a desistência de muitas famílias. As pessoas não acreditavam muito que as casas seriam mesmo construídas, afirma. Na sua opinião, a dificuldade de adaptação ao sistema de mutirão também contribuiu para a desistência.
A primeira casa foi concluída em janeiro do ano passado e a última, neste mês. Procuramos algum grupo ou órgão financiador porque a construção tem um custo e nós não temos recursos, diz irmã Tânia.
Depois que começou o projeto de construção de casas, os coordenadores tiveram a idéia de estruturar uma Pastoral da Moradia. Segundo Gelson Gil, o trabalho da pastoral deverá envolver trabalhos nas áreas de desfavelamento, assentamentos, entre outros.
A doméstica Marta Cardoso Rodrigues, o servente Milton Rodrigues e seus cinco filhos formam um das famílias beneficiadas com o projeto. A casa de 50 metros quadrados, dividida em cinco cômodos, ficou pronta em junho do ano passado. Antes a gente morava em um barraco e a vida era muito difícil, lembra Marta Rodrigues.
Ela observa que o trabalho feito em sistema de mutirão facilitou a construção das casas. Se a gente não contasse com a ajuda das outras pessoas, estaria morando até agora no barraco, afirma. Marta Rodrigues diz ter planos para melhorar a casa, fazendo o reboco e colocando o piso.
A camareira Erdinéia Lucia Sopko, que mora em uma casa de 60 metros quadrados com outras nove pessoas, lembra que a construção demorou cerca de três meses. Segundo ela, a nova casa, com mais espaço, contribuiu para melhorar o ambiente familiar. Antes, a família era composta por oito pessoas e como o espaço era reduzido, as brigas e discussões eram constantes.


