Casa-abrigo localizada no Jardim Europa, em Arapongas, realiza trabalho pioneiro
Odair StraliottMara Gouveia Fantin, coordenadora do projeto e idealizadora da casa-abrigoEm uma casa do Jardim Europa, em Arapongas (37 Km a oeste de Londrina), uma mulher, um homem e uma criança – nenhum integrante do conceito obsoleto de ‘‘grupo de risco’’ – vivem o cotidiano regrado e generoso do Projeto Oásis.
As cenas mais características são as orações diárias, carregadas de emoção, segundo relato dos voluntários.
Pelo local – uma casa de oito cômodos e quatro quartos – já passaram, além dos três atuais internos, cinco pessoas que não contavam com ambiente familiar para ter um tratamento adequado em sua própria casa. O trabalho ainda é restrito e pouco abrangente, mas pioneiro no Norte do Estado, região carente em projetos de reinserção social e familiar com portadores do vírus HIV.
‘‘As internações são feitas em último caso, quando o desamparo é completo ou a pobreza é extrema’’, explica a presbiteriana Mara Gouveia Fantin, 39 anos, coordenadora do projeto e idealizadora da casa-abrigo, que funciona desde fevereiro.
Dona de casa com os dias contados – o trabalho voluntário despertou o gosto pelo auxílio à enfermagem (ela é recém-formada na função) – Mara tem experiência no atendimento a soropositivos.
Ela também tem a certeza de que viver harmoniosamente com a família é o melhor método para se prolongar a vida de um portador do vírus da Aids.
Desde 1997, o projeto reúne voluntários presbiterianos e batistas – entre eles missionários vindos do Nordeste –, que se dispõem a dar apoio espiritual, psicológico e material a portadores do vírus ou doentes carentes.
‘‘Percebemos que o trabalho dos grupos de apoio estava incompleto por que algumas famílias continuavam discriminando o portador.
A idéia da casa-abrigo é oferecer um ambiente humano a quem se sente deprimido com o desamparo’’, conta Mara.
Os voluntários, atualmente nove pessoas, agendam consultam, obtêm medicamentos na rede pública e buscam doações de alimentos junto a prefeitura e a comunidade. Seis crianças soropositivas recebem material escolar do projeto.
No total são atendidas 20 famílias. Parte delas continuam recebendo apoio para superar a morte do parente soropositivo. As despesas são bancadas por um repasse mensal da Igreja Presbiteriana.
Os voluntários foram selecionados pela própria coordenadora. ‘‘São atividades que exigem disponibilidade, presteza, disciplina e paciência’’, enumera Mara, que já vetou sete candidatos.
O objetivo do projeto é a reinserção do soropositivo a sociedade e a família, sem traumas.
O maior impulso para que esta meta seja atingida permamentemente é a parceria firmada entre o projeto e a empresária Ana Cristina d‘Arce Cândido Rummel, 42 anos, que emprega internos do Oásis em sua pequena fábrica de artigos de artesanato.

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