Luiz Carlos Dia Junior
De Guarapuava
Especial para a Folha
As religiosas Terezinha de Souza e Zenilda Rodrigues Barbosa, ecônoma e diretora da Sociedade Educadora e Beneficente Colégio Nossa Senhora de Belém, de Guarapuava, respectivamente, foram citadas na representação queixa-crime impetrada no Ministério Público anteontem, pelo ex-funcionário Dilceu Rodrigues de Oliveira. Elas são acusadas de desviar dinheiro da instituição para benefício de parentes, apropriação indébita e estelionato.
Dilceu Oliveira afirma que conhecia as condições de vida dos parentes das religiosas que há cinco anos participavam de um acampamento de sem-terra em Mangueirinha. Segundo Oliveira, em cinco anos o patrimônio e o padrão de vida destes familiares chamaram a atenção.
Cópias de documentos que comprovam movimentações financeiras irregulares foram entregues ao Ministério Público. Parentes contratados tinham salários 40% a 60% acima da média, mesmo morando em cidades distantes. Também estão citados gastos particulares de parentes das religiosas custeados pela Sociedade Educadora e Beneficente, como viagens, despesas médicas e hospitalares (incluindo uma cirurgia plástica de correção estética dos seios para uma irmã da ecônoma) e até o pagamento de todas as despesas de uma festa de casamento em 98.
Também foram realizados repasses de veículos ou transferência deles a parentes. Os parentes também teriam sido, segundo o ex-funcionário, beneficiados com a aquisição de pelo menos seis imóveis de padrão classe média-alta em Cascavel, construção de residências e loja.
Segundo Dilceu Oliveira, as duas religiosas manipularam R$ 3,4 milhões de um total de R$ 8,2 milhões da receita financeira bruta. Mesmo sem apresentar queda do número de alunos matriculados (cerca de 800) a gestão das duas foi a que menos investiu em construção, melhorias ou equipamentos para o colégio.
O advogado Norberto Munello, que veio de São Paulo para averiguar as acusações, disse que as denúncias são infundadas e inescrupulosas e que ele deverá entrar com uma ação de indenização por calúnia e danos morais contra o ex-funcionário. ‘‘Este rapaz queria fazer chantagem. Ele fez cinco ligações para o colégio após a entrega de uma cópia da representação para a diretora, antes de dar entrada do documento no Ministério Público’’, disse o advogado.

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