Religiosa preferiu não voltar para a Europa
Milton DóriaSem milagresIrmã Tereza Almeida: A transformação é maior que a curaA Congregação Missionárias de Santo Antônio de Maria Claret nasceu de um rompimento entre um grupo de 22 regiliosas italianas que trabalhavam no interior do Estado de São Paulo e seus superiores da Europa. A crise começou porque as missionárias da congregação Pobres Filhas de Santo Antônio, que estavam no Brasil, se recusaram a voltar à Itália e abandonar as obras na América. Entre elas estava Madre Leônia Milito.
Foi uma decisão muito difícil para a Madre Leônia, diz o professor e historiador José Garcia Gonçales Neto, autor de um livro sobre a história da Congregação das Irmãs Claretianas. Ele permaneceu três anos estudando as cartas e documentos da Madre antes de lançar o livro, em 1992. Ela havia se entusiasmado bastante pela missão brasileira porque vislumbrava vários campos de trabalho no País. Nessa época a antiga congregação resolveu adotar uma política de frear, de acabar com a missão no Brasil. O professor lembra que Madre Leônia Milito chegou a apelar para o Papa Pio XII para que a antiga congregação autorizasse a permanência das missionárias no Brasil - só que o apelo acabou não sendo atendido.
Segundo o historiador, Madre Leônia Milito e as outras irmãs ficaram desamparadas no Brasil e só conseguiram novamente uma segurança depois que o Dom Geraldo Fernandes, primeiro arcebispo de Londrina, encampou a causa das irmãs italianas e criou, em 1958, a Congregação Diocesana Missionárias de Santo Antônio de Maria Claret, que viria a ser reconhecida pelo Vaticano nove anos depois. O reconhecimento foi muito rápido. É raro uma congregação consegui-lo em apenas nove anos.
A congregação fundada por Madre Leônia Milito hoje está presente em 14 países e desde o início pregou a fidelidade ao Evangelho e a assistência aos pobres, carentes, doentes e marginalizados. Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Itália, França, Suíça, Alemanha, Polônia, Portugal, Costa do Marfim, Gabão, Austrália e Filipinas têm missionárias das Irmãs Claretianas.
Para a postuladora da causa da beatificação, Irmã Tereza Almeida, Madre Leônia Milito tinha a capacidade de projetar o futuro. Ela vivia sempre no amanhã. Era uma mulher de vanguarda. A postuladora conviveu 15 anos com Madre Leônia e ressalta a grande cultura da reliosa, que falava fluentemente cinco idiomas. Madre Leônia era uma mulher dinâmica, altruísta, forte. Uma mulher de muita fé.
Na sede da Congregação em Londrina, no parque Guanabara (zona sul), as Irmãs Claretianas guardam ainda a casa onde morou Madre Leônia Mílito, seus objetos pessoais e de trabalho. O corpo da Madre está sepultado no Santuário Eucarístico da sede.
Em Londrina, a Congregação é responsável pelo Instituto Coração de Maria, oAsilo São Vicente de Paulo, Lar Santo Antonio, Chácara São José, Instituto e Recanto Infantil Pio XII, Creche Dom Geraldo Fernandes, Comunidade Pastoral e Formativa, Comunidade e Centro Missionário dos distritos de Paiquere, Irerê e Guairacá. A Congregação ainda é responsável pelo Lar Santo Antonio, de Cambé, e Lar dos Idosos e Pastoral, de Sertanópolis.
Madre Leônia Mílito nasceu em Sapri, província de Salermo, Itália, no dia 23 de junho de 1913. Ela chegou ao Brasil em 1954.





