Religiões unidas pela paz
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quarta-feira, 09 de setembro de 2015
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Dirigentes e representantes da Associação Médica de Londrina (AML) e de 35 religiões, credos e filosofias que atuam na cidade se reuniram na manhã de ontem na sede da entidade para apresentar o movimento "União pela Paz", com o objetivo de propagar princípios e valores fundamentados na ética, na moral e nos bons costumes. Esta foi a quarta reunião do movimento, que decidiu realizar no dia 20 de setembro a Caminhada pela Paz, que se concentrará em frente ao Colégio Vicente Rijo, para que todos participem do 7º Abraço no Lago.
"A ideia foi fazer com que pensássemos mais em paz do que em guerra. O grupo achou que a caminhada seria simbólica no sentido de que estamos caminhando em direção a alguma coisa. No caso estamos caminhando para a união", destacou Antônio Caetano de Paula, presidente da AML. De acordo com ele, a ideia é que cada religião faça no seu templo ou na sua atividade esse tipo de convencimento pela paz.
Lázaro Roberto Pereira, conhecido como Pai Roberto de Ogum, destacou que tudo na vida se começa com a paz. "Como vamos viver com angústia, brigas e contradições de religião? Todos são filhos de Deus. O que a gente mais busca é a paz do ser humano", apontou. O monge budista Hakuze Ferreira orientou que essa paz tem que estar no coração de cada um. "Ao mesmo tempo que a gente comete nossos erros, temos que ter um sentimento de pedir desculpa, agradecer ao outro e buscar a paz. Se não fizermos isso, não conseguiremos levar a paz ao coração das pessoas", analisou.
O padre César Braga ressaltou que essa união é um passo para buscar o diálogo ecumênico. "Vamos nos entender como seres humanos, como diversidade. Vamos trabalhar de forma que não aconteça intolerância religiosa e ver o que o outro tem a oferecer. É o princípio da casa comum, que tanto diz o papa Francisco. Vamos cuidar dessa casa que Deus nos deu. Quem não frequenta religião também está convidado a estar conosco em busca de uma ética, sejam eles agnósticos, adeptos da cientologia ou aqueles que ainda não descobriram Deus", afirmou Braga.
Stanley Kennedy, ogã e membro do terreiro Estrela Guia, destacou que as reuniões se tornaram um espaço capaz de promover o diálogo entre as religiões. "A gente entende que o preconceito parte do desconhecimento e da ignorância. A gente vai percebendo que não há tantas diferenças como aqueles que possuem discursos sectários acreditam. Eles acabam percebendo que a umbanda e o candomblé são religiões que têm o mesmo objetivo que outras. A gente possui nossa forma, nosso culto e outras vestimentas, mas isso não vai mudar a nossa essência de sermos solidários, éticos e moralmente responsáveis", apontou.
O presidente do Conselho Municipal de Cultura de Paz de Londrina, Luís Cláudio Galhardi, destacou que uma das grandes origens da violência é a falta de diálogo. "Nós estamos em uma sociedade que há pouco diálogo, mesmo com Facebook e WhatsApp e outros mecanismos eletrônicos que deveriam conectar as pessoas", criticou. Ele destacou que a ONG Londrina Pazeando realiza uma série de ações para que as pessoas reflitam para mudar essa cultura da violência através do diálogo, palestras e cursos.
Serviço:
Caminhada pela paz
Data: 20/09/2015
Horário: Concentração às 8h30 e partida às 9 horas
Local: Avenida Higienópolis, em frente ao Colégio Vicente Rijo


