Religiões para todas as crenças
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Mie Francine Chiba 
O templo budista conserva um pedaço do Japão perto do Centro da cidade. Diante dos olhares dos convidados, dois casais fazem uma entrada silenciosa, quebrada apenas pelo som do sino e depois pela música tocada ao vivo, escolhida por eles mesmos. Depois que a música cessa, o monge entoa um canto, dando início à cerimônia.
Os dois casais celebram ali seus 25 anos de casamento, com direito a novas alianças. O monge que faz a cerimônia veio da terra do sol nascente. Os noivos de 25 anos atrás, como diz o próprio monge, descendem principalmente de italianos, mas também portugueses e alemães, e são católicos não-praticantes.
Cimara e Luiz da Silveira e Rubem e Márcia Cauduro, apesar de não serem budistas, costumam manter contato com a religião por meio do karatê, arte marcial japonesa que Silveira e Cauduro praticam há muito tempo. O monge Norio Haritani foi quem os ensinou o esporte e é padrinho de casamento de ambos. Ele (Haritani) já tinha como religião o budismo mesmo antes de se tornar monge, então ele já passava esses conceitos para a gente, de desapego a coisas materiais, de preocupação com todos os seres. A gente já copiava isso aí sem saber o que era. Agora a gente sabe, diz Rubem Cauduro, professor de inglês e de karatê. Outro motivo por termos convidado o professor Norio para fazer a celebração é esse convívio. São 25 anos de casamento convivendo com o professor, expõe, por sua vez, Luiz da Silveira, também professor de karatê.
O Brasil é um país muito grande, com distâncias muito grandes, então era normal que o sincretismo, as vizinhanças, as identificações acontecessem. E não é um país secular, é um país em formação. Londrina é uma cidade de oitenta anos e formada basicamente por imigrantes, então é impossível não ter uma mistura, diz a antropóloga e professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Elena Maria Andrei. Essa é, segunda ela, uma das razões por que não é difícil encontrar pessoas que participam de duas ou de até mais religiões, ou simplesmente trocam de religião.
Segundo conta o monge Haritani, antes o budismo era dirigido à colônia japonesa, mas à medida em que ela foi diminuindo, as portas dos templos foram abertas para todos, não importando a religião. Os ritos são hoje falados em português em alguns lugares para que os brasileiros também entendam, como é o caso do templo onde Haritani é monge, em Brasília. O próprio descendente de japonês não entende palavra difícil, comenta. Apenas 5% dos frequentadores do Templo Honganji, de Brasília, são nascidos no Japão, afirma.
A necessidade de algo que as complete é uma das razões de pessoas de outras religiões procurarem o budismo, diz. E muitas acabam se convertendo. Para isso, é preciso apenas confiar nos ensinamentos de Buda (líder espitirual do Budismo), garante o monge. Não precisa batizar, mas muitas vezes o brasileiro batiza. Outras, procuram os templos para se casarem novamente. Muita gente quer casar duas vezes e a Igreja católica não aceita. Então vem procurar o templo."


