RELIGIÃO E CURA - A fé a serviço da saúde
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sábado, 05 de julho de 2008
Fernando Rocha Faro<BR>Reportagem Local 
A fé pode mudar um trágico destino? Para muitos que viram a morte de perto sim. O advogado Péricles Deliberador não tem dúvidas ao afirmar que, não fosse pela intercessão de Madre Leônia Milito, não teria sobrevivido para contar o que ocorreu no distante dia 22 de julho de 2003. Religiosos e leigos consultados pela FOLHA também ressaltam que a fé é um elemento importante na cura de doenças.
Ao buscar o filho para jogar bola, ele foi atacado por assaltantes. Mesmo sem reagir, foi baleado no coração. O que poderia ser uma história trágica de violência transformou-se num testemunho do poder da fé.
Ao lado da esposa, Luciane Regina Arazaua Pinto Deliberador, e dos filhos, Vinicius, 7 anos, e Danilo, 5, ele relata com serenidade o fato que marcou a vida da família. Lembra com detalhes de como foi atacado por uma dupla de assaltantes e da luta que travou após sofrer o primeiro golpe. Também estão na memória os disparos que o atingiram no braço e na orelha.
A recordação de Deliberador termina por aí. O tiro no peito foi o golpe que praticamente tirou a vida dele. A ação rápida do sogro, que fez massagem cardíaca e o socorro rápido ajudaram. Mas foi o poder da fé, segundo a família, que possibilitou que ele sobrevivesse. Foram 16 dias de UTI e meses de internação.
A primeira imagem que viu após sair do estado de inconsciência foi a imagem de Madre Leônia Milito afixada nos aparelhos hospitalares. Esta relíquia acompanha a família até hoje. O padre César Braga, da Paróquia Sagrados Corações, foi um dos religiosos que participou da vigília pelo advogado.
A providência divina, de acordo com Luciane, esteve presente desde o primeiro momento para salvar seu marido. O médico de plantão era um especialista em cirurgia torácica, que operou o coração de Deliberador. A única informação que a família tinha então era que o quadro clínico dele era estável.
Uma prima da mãe de Deliberador, integrante do movimento denominado Missionárias de Santo Antônio Maria Claret, enviou a relíquia de Madre Leônia para o hospital. Junto com a imagem, Luciane recebeu folhetos com a história da religiosa que viveu em Londrina e pode ser canonizada. ''Passei a ter um sentimento diferente. Eu tinha esperança de que ele ia sair daquela (situação). Mas a minha esperança não era suficiente. Eu precisava, naquele momento, de alguma coisa mais consistente. Pedi a ela que intercedesse''.
Pouco mais de uma semana depois, ainda muito debilitado, Deliberador teria de passar por nova cirurgia. Naquele momento, a esposa sentiu que precisava fazer alguma coisa e teve a idéia - guiada pelo Espírito Santo, acredita ela - de ligar para o cirurgião torácico da primeira cirurgia. O profissional foi ao hospital apenas para atendê-lo e descartou uma nova intervenção.
Na sequência, relata a esposa, uma fiel da paróquia fez uma oração para ele. Foi quando ele sentou na cama, apesar do coma. Até uma enfermeira disse que aquilo tratava-se de um milagre. Foi quando a esposa deixou de ter esperança e passou a ter certeza sobre a cura do marido.
Entre recaídas e voltas ao hospital, problemas não faltaram na vida de Deliberador e da família. Até ameaças de familiares dos criminosos eles enfrentaram.
Para Péricles Deliberador, a providência divina guiou o médico que o operou. E manifestou-se no fato de ser um especialista que estava de plantão na noite do crime. ''A providência divina foi maior que a coincidência. A mão de Deus agiu mais do que a sorte. A coisa mais difícil é uma pessoa perdoar alguém. E hoje eu perdoei'', ressalta, sem conseguir conter as lágrimas.
Coincidência ou providência divina, o fato é que o crime que marcou a vida da família de Péricles Deliberador ocorreu em 22 de julho de 2003. Exatamente 23 anos depois da morte de Madre Leônia num acidente automobilístico.


