RELIGIÃO - Igreja celebra 25 anos de morte da Madre Leônia
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de julho de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Madre Leônia Milito, fundadora da Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret, atravessou a porta da convicção dos que crêem que a alma que ama a Deus, se enfraquece na Terra. Do outro lado, onde os cristãos católicos esperam a eternidade, que permanece a despeito do tempo que passa na peregrinação terrena, a religiosa quis fazer a experiência do deserto dentro de si, desejando encher-se daquele a quem buscou ter pela humildade.
Admirada através do perfil da religiosa que chegou em Londrina, em 1957, para fundar um ano depois, com a ajuda de dom Geraldo Fernandes, a congregação que atualmente está em 14 países, Madre Leônia abriu o primeiro capítulo londrinense na história dos que postulam a beatificação.
Hoje, a arquidiocese de Londrina celebra com duas missas os 25 anos de morte da religiosa, em 1980, num acidente automobilístico na BR-369, em Cambé, onde foi construída a capela Nossa Senhora do Caminho.
Na subida até o altar, a vida de Madre Leônia encontra testemunhos como a costureira Maria José Sonego Faquete, 56 anos, a dona Dedé.
''A minha mãe morreu sem eu saber. Fui passar o Natal na casa dela, na região de Tangará da Serra (MT). Na época não tinha asfalto e nem telefone. Ao chegar lá, durante a noite, fiquei em estado de choque. Ela morreu aos 45 anos de um tétano fulminante e havia sido enterrada naquela manhã. Ao voltar para Londrina, fui à missa no santuário. Ao sair, chorava muito. A madre se aproximou e me falou coisas tão lindas. Ela parecia conhecer minha mãe. As palavras dela foram tão profundas que curaram a dor do meu coração. Era o próprio Deus, falando através da madre'', lembra a costureira, em um relato que faz parte do processo de beatificação. A fase diocesana começou em 1998.
A etapa romana teve início em 2003, com a entrega da documentação do processo diocesano na Congregação das Causas dos Santos, em Roma, que expediu decreto no dia 16 de janeiro de 2004, assinado pelo cardeal Josephus Martins Saraiva, que conheceu Leônia.
Comparada a uma parábola do Evangelho pela postuladora da causa de beatificação, irmã Tereza de Almeida, a trajetória da religiosa está sendo estudada por um relator nomeado através da Congregação das Causas dos Santos, o padre franciscano conventual Cristoforo Bove.
Além de sua formação teológica, espiritualidade e mística, Bove é doutor em História Medieval, considerado peça influente na Congregação dos Santos. ''Ele inovou a metodologia de estudo das virtudes, evidenciando a validade de uma biografia crítica e científica, onde se pode verificar a caminhada espiritual feita pelos que são considerados Servos de Deus'', afirmou irmã Tereza, em entrevista à Folha por e-mail.
Bove e a postuladora se debruçarão sobre cerca de 350 páginas e 43 volumes do processo, além de outros documentos que ainda poderão ser pesquisados para a biografia documentada. A expectativa é de que esta etapa não ultrapasse três anos.
A via de santidade aberta pela madre é percorrida pelo trabalho da irmã Tereza, que chega a 8 horas diárias, contando com a ajuda de uma vice-posturadora italiana, já que é necessário o domínio do idioma italiano no processo rogatorial feito em Roma.
''O trabalho que faço agora chama-se Summarium. Em seguida, farei a biografia e, posteriormente, a Informatio, reunindo informações precisas e comprovadas pela biografia e o Summarium, das disposições, heroicidade e das virtudes e da fama de santidade em vida, na hora da morte e depois da morte. Aqui, talvez, seja interessante pedir aos londrinenses que colaborem com esta causa, escrevendo quando recebem alguma graça, documento que passará a fazer parte do Positio, a fama de santidade. Por sua vez, a fama de santidade comprova o querer de Deus, quanto à glorificação daquele santo ou santa, através da canonização'', destacou irmã Tereza.
A postuladora chegou em Roma no dia 6 de abril, participando dos funerais de João Paulo II, sendo testemunha, na Praça de São Pedro, da eleição de Bento XVI.
Tereza ressalta que o dicastério da Congregação dos Santos, organismo responsável pela canonização de santos, continua o mesmo no início do pontificado de Bento XVI.
''O que ocorreu na verdade é que com a transferência da sede da postulação para a nossa comunidade de Roma, tenho me dedicado, exclusivamente, ao processo e isso tem agilizado bastante o trabalho. Aqui é muito prático. Qualquer dúvida quanto à metodologia de trabalho, o relator está presente para me orientar. Isso facilita a caminhada'', constata a religiosa, não acreditando que a morte de João Paulo II e a nomeação do novo papa possam atrasar o processo de beatificação da Madre Leônia.
Na realidade, Bento XVI retomou uma antiga prática na Igreja, antes de João Paulo II, quando a beatificação era feita pelo bispo ou cardeal designado pela papa. ''Essa prática entrou novamente em vigor. Ao papa ficou reservada somente a canonização. Nada impede que a Madre Leônia seja beatificada em Londrina ou em Roma'', aponta a postuladora.
Programação
HOJE
Missa às 7 horas, no Santuário Eucarístico, Avenida Madre Leônia Milito, 575.
Missa às 19h30 na capela Nossa Senhora do Caminho, BR-369, em Cambé.
DOMINGO
Missa solene de celebração dos 25 anos da morte de madre Leônia, às 17 horas, no Santuário Eucarístico, Avenida Madre Leônia Milito, 575.


