Fotografias de prédios de alvenaria construídos no decorrer dos primeiros dez anos da cidade compõem o ''Álbum de Londrina 1941'', editado pela Papelaria Brasil, raridade recentemente multiplicada por iniciativa do arquiteto e pesquisador Humberto Yamaki. É a reprodução em fac-símile com o título ''Lembranças e Deslembranças'', muito objetivo, pois das 73 edificações relacionadas, restavam apenas sete em 2008. E residenciais especificamente, que eram 15 do total, apenas duas, as de David Dequêch, na Avenida Duque de Caxias; e o sobrado da família Victorelli, na Fernando de Noronha.
Na introdução do livro, Yamaki informa que, em 1939, ''ficava proibida a construção de casas de madeira nos principais trechos'' da zona urbana, impondo a transição para as consruções de alvenaria, Daí ''o conjunto de palacetes ecléticos e de edificações de linguagem racionalista''.
Selecionadas pela su© ntuosidade, as ''residências e palacetes'' do álbum, em fotografias de José Juliani, foram ''minadas'' pelo avanço do comércio e dos serviços, sufocados pelo trânsito que tira o sossego. E assim a residência se tornava transitória, efêmera, pois as pessoas construíam para morar e depois não podiam permanecer, forçadas pelas circunstâncias..
Provavelmente, a casa de alvenaria mais antiga, que ainda resta, seja o ''palacete David Dequêch'', em se usando a classificação de outrora, construída em 1937 e situada na Duque de Caxias esquina com a Celso Garcia Cid. Encontra-se, porém, muito degradada, ocupada por um bar.
E a da família Benatto (Rua Souza Naves, 385), entre as mais antigas de alvenaria, certamente é a mais fotografada, por chamar a atenção para a arquitetura, a localização e a manutenção. Por vezes, até aos domingos, visitantes inesperados batem à porta, pedem informações e licença para fotografá-la, conta Omeletino (Tino) Benatto, 82 anos. ''Se a gente, com mais idade, não der informações, a história se acaba'', pondera Tino.
A durabilidade da casa, projetada pelo engenheiro Odilon Borges de Carvalho e construída pelo empreiteiro Antônio Souza Coelho em 1940, se deve também à alta qualidade dos materiais, algo não muito comum à época por causa das distâncias e a dificuldade de transporte.
Tino conta que o pai, João Antônio Benatto, era do ramo desde que, procedente do Estado de São Paulo, associara-se ao cunhado Dionísio Striquer numa cerâmica em Jathay, onde a família permaneceu até março de 1934. Nesse ano, mudou-se para Londrina, indo morar numa casa de madeira na Rua Minas Gerais esquina com Piauí, onde está o Centro Comercial.
Então, Benatto se tornou sócio de Vitório Francovig num porto de areia e até 1940 comprou caminhões, passando a fazer fretes. E se estabeleceu com depósito de telhas e areia em Londrina. (W.S.)

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