Relaxamento teria causado multiplicação
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sexta-feira, 15 de março de 2013
Lúcio Flávio Moura<br>Reportagem Local 
A proliferação de casos autoctónes de dengue no Estado tem ligação com a multiplicação do vetor, de acordo com avaliação do supervisor técnico da Diretoria de Vigilância em Saúde da Prefeitura de Londrina, Elson Belisário. "A gente costuma dizer que o mosquito está domesticado. Está circulando nos quintais e nas casas. Por isso, há uma incidência enorme de casos", afirmou o ex-coordenador do setor de Endemias do município.
Para Belisário, 2012 foi um ano de baixa incidência, o que provocou um relaxamento no combate aos focos do Aedes aegypti. "Com menos informação circulando sobre a doença, houve um relaxamento, o que facilitou a infestação".
O infectologista Arilson Morimoto, de Londrina, acredita que o crescimento de 1000% no número de casos autóctones neste ano, em comparação ao ano passado, está relacionado à falta de prevenção em terrenos baldios e quintais. "Não adianta fazer a limpeza das áreas depois que o período de chuvas começa. A limpeza deve ser feita ainda nos meses secos. E isso não foi feito", afirma. "Tanto a população quanto os governos devem ser responsabilizados por esta negligência."
Embora o período de alerta se esgote em um mês, a infestação já está na curva descendente, aposta o coordenador de Endemias da secretaria municipal de saúde, Jorge Augusto de Sá. "Ainda temos de 150 a 200 casos suspeitos por semana, mas a tendência é de redução destes números já no próximo mês", afirma. A maior preocupação do setor de Endemias prossegue sendo o risco de registro do tipo 4 da doença. "É um vírus para o qual a população não está imunizada. Há um risco bem maior de surto", avalia o coordenador.
De segunda a quinta-feira será realizado o segundo Levantamento Rápido do Índice de Infestação (Liraa). Cerca de 240 agentes vão visitar 8,6 mil residências em busca de foco. No último Lira, feito em janeiro, o índice foi de 8% (a faixa de alerta é de 1% a 3,9%), que aponta risco real de epidemia. Os resultados devem ser divulgados no próximo dia 27.
A projeção dos técnicos de Endemias é que haja uma redução no índice, em comparação ao primeiro. "É provável encontrarmos índices que variem de 1% a 3,9%, o que é considerado estado de alerta e, em alguns pontos, estado crítico. Isso porque, estamos em um período crítico, em que não houve redução das chuvas e de calor", afirma Sá.


