Almirante Tamandaré - Um relatório detalhando a morte de cerca de 20 mulheres e aproximadamente 100 homens em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, será enviado à Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo é buscar ajuda internacional para desvendar os crimes que vêm acontecendo na região há dois anos. A decisão foi tomada ontem, durante uma reunião do Movimento das Famílias de Mulheres Mortas em Almirante Tamandaré.
Outras entidades, como a Comissão dos Direitos Humanos, a Organização Não Governamental (ONG) SOS Tranqueira e vereadores da região que instauraram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as responsabilidades das mortes também participaram do encontro. Foi nomeada uma comissão que vai reunir toda a documentação levantada até agora sobre os crimes para formar o relatório a ser entregue à ONU.
O documento será direcionado a uma comissão específica da organização chamada de Relatório Especial sobre Execuções Arbitrárias, ligada à Comissão de Direitos Humanos da ONU. ''Queremos que uma entidade internacional se pronuncie para suprir a omissão do governo'', disse o vereador Luiz Piva (PT), de Tamandaré. De acordo com o vereador, uma avaliação das investigações realizadas pelos órgãos presentes na reunião constatou que os crimes no município não estão tendo a devida atenção do Estado. ''Um exemplo é que de 19 mortes, apenas cinco apontam indícios de autoria'', disse o vereador.
As mortes estão sendo investigadas pela delegada Vanessa Alice, designada para cuidar do caso. Até agora, foram presas 20 pessoas acusadas de envolvimento nos crimes. A delegada atribui a autoria dos assassinatos a uma quadrilha que teria ligações com drogas, roubo e desmanche de carros.

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