As carceragens do 2º e 4º Distritos Policiais (DP) de Londrina não podem continuar recebendo detentos, por causa da superlotação, enfrentam problemas hidráulicos e de energia e a comida servida aos presos é de baixa qualidade. Essas foram as principais falhas identificadas pelos cinco oficiais de Justiça que cumpriram ontem a determinação do juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto de Valle, de vistoriar os distritos. Eles têm um prazo de 10 dias para remeter um relatório ao juiz, que poderá pedir a interdição das carceragens.
A situação mais grave foi constatada na carceragem do 2º DP, onde 209 homens dividem as celas destinadas a 68. Em alguns cubículos, com quatro camas, existem 15 detentos amontoados, que fazem revezamento para dormir. Para amenizar o problema, a solução encontrada foi colocar alguns detentos nos corredores. Pelo menos 50 presos passam a maior parte do dia no corredor, sendo que alguns chegam a dormir nesse local.
O detento A.R., 24 anos, preso por furto, disse que a qualquer momento pode ocorrer uma rebelião já que atritos entre os detentos são constantes. Ele reclamou da lentidão da Justiça nos julgamentos. ''Isso aqui está um barril de pólvora. Parece que estão esperando alguém morrer para fazer alguma coisa'', afirmou.
Os detentos reclamaram também que só podem tomar banho de sol uma vez por semana, às sextas-feiras. Além disso, durante as visitas, segundo eles, não há privacidade para ficarem com suas famílias. Sem falar dos problemas nos encanamentos e na falta de higiene dentro das celas.
No 4º DP, a situação é um pouco mais tranquila, pois 39 mulheres dividem espaço para 24, uma média de seis em cada cela. Mesmo assim, elas se queixam da falta de assistência médica e do fornecimento de medicamentos. Segundo a detenta B.S., 50 anos, o maior problema é a ''péssima'' qualidade da refeição fornecida. ''Já encontramos asa de barata e cabelo dentro da comida'', afirmou.
O oficial de Justiça, José Abrahão, observou que os piores problemas são, realmente, a superlotação, no caso dos homens, e a ociosidade das mulheres. Ele entende que a mão-de-obra feminina poderia ser utilizada por empresas do setor têxtil. Sobre as mulheres, ele frisou que é importante ainda aumentar a quantidade de visitas dos filhos, que só podem entrar na carceragem uma vez por mês.
O juiz Roberto do Valle confirmou que deverá pedir a interdição da carceragem do 2º DP, se uma parte dos detentos não for transferida. Ele só não soube informar para onde irão os presos. A Casa de Custódia, que seria a principal opção, já conta com 410 detentos, em um espaço para 288, e o governo do Estado não deverá autorizar novas transferências. ''A culpa é do próprio Estado que destruiu as carceragens do 3º e do 5º distritos no passado'', ressaltou. Anteontem, o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Jurandir André, havia dito que acatará qualquer determinação do juiz.

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