Relatório revela sumiço de 52 corpos no IML
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de março de 2001
Luciana PomboDe Curitiba 
Documento assinado pelo delegado Agenor Salgado Filho designado no ano passado para acompanhar os trabalhos do delegado interventor Elói Fernandes revela uma diferença de dados sobre corpos doados identificados e não identificados que teriam sido encaminhados para faculdades e universidades. De acordo com o documento, datado de 23 de outubro de 2000, entre o relatório do Instituto Médico-Legal (IML) e a informação prestada para a Corregedoria da Polícia Civil existe uma diferença de 52 corpos.
No mesmo relatório, consta a informação de que onze corpos não identificados não tiveram o devido registro de doação ou liberação. O deputado estadual Ricardo Chab (PTB), presidente da Comissão de Segurança da Assembléia Legislativa, questionou o fato da informação não ter sido apurada no inquérito instaurado e presidido pelo delegado Fauze Salmen, atualmente titular do 1º Distrito Policial de Curitiba. Esta informação ficou com quem? Estão faltando corpos e a impressão é que o esquema é muito maior do que parecia ser, declarou Chab.
O documento será anexado ao relatório final da CPI do Narcotráfico. Chab vai ainda pedir uma cópia da documentação e do inquérito que investiga a suposta comercialização de cadáveres do IML para ser analisada pela Comissão de Segurança.
O delegado Adauto Abreu de Oliveira, corregedor da Polícia Civil, disse ontem que vai verificar imediatamente o andamento do processo disciplinar 1349/00, instaurado no ano passado. Sei que existiam sérios indícios de irregularidades no IML, constatou.
O delegado Fauze Salmen, responsável pelo inquérito dos cadáveres, disse que nada pode se comprovar efetivamente em relação ao desaparecimento de corpos no IML. A conclusão do delegado Salgado é precipitada e não tem credibilidade, complementou Salmen.
Salgado negou que saiba efetivamente dos corpos desaparecidos. Apesar de salientar que o documento foi feito e assinado por ele. Houve uma discrepância de dados e eu avisei isto para o interventor. Não era minha função investigar, apenas alertar. A investigação estava sendo feita por outro delegado, disse. Ele confirmou que verificou que alguns corpos não identificados não tiveram os registros de doação ou liberação anotados pelo IML. Foi uma constatação e não um parecer. O IML não tinha os dados dos corpos, assinalou.


