Relatório que culpou piloto é contestado por familiares
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segunda-feira, 17 de março de 1997
Paulo Pegoraro Sucursal de Cascavel 
O relatório preliminar da Aeronáutica indicando erro do piloto Carlos Alberto Doro Carlito, no acidente de 13 de março de 1996, no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, quando morreram Doro e os empresários José Carlos Tito Muffato, Itagiba Fortunatto e Sérgio Gasparetto, todos de Cascavel, está sendo contestado por diretores das empresas das vítimas e familiares. Segundo eles, está havendo condenação prévia, sem que haja comprovação de erro.
O acidente envolveu um bimotor Cheyenne, da empresa Irmãos Muffato, que estava em procedimento final para aterrissagem, na cabeceira do aeroporto. O aparelho tinha 800 horas de vôo e Carlos Alberto Doro era piloto profissional com 25 anos de experiência. Tito Muffato dirigia rede de supermercados e dividia a presidência da TV Tarobá com o irmão, Pedro Muffato. Itagiba Fortunatto era empresário do ramo gráfico e Sérgio Gasparetto tinha uma revenda de carros.
O relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção a Acidentes Aeronáuticos, de Brasília, tem base em investigações do Departamento de Aviação Civil. Segundo o documento, o piloto teria sido orientado pela torre de controle para pousar em uma das cabeceiras, fazendo uma manobra à esquerda, mas virou à direita e perdeu o controle do aparelho. A torre teria estranhado a manobra, mas não houve tempo para novas orientações e a seguir o avião caiu, explodindo.
Hipóteses consideradas são de que o piloto pudesse ter passado mal ou a aeronave ter apresentado problemas mecânicos. O relatório final deve sair em 40 dias, mas pode não ser conclusivo, segundo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos porque muitos elementos que serviriam para avaliação foram destruídos na explosão. Além disso, aviões como o bimotor Cheyenne não são dotados de caixa preta, onde ficam gravadas conversas entre pilotos e controladores de vôo.
Jorge Luiz Fernandes Guirado, diretor geral da TV Tarobá, disse ontem que se não havia caixa preta, há uma fita gravada pela torre, que consta do processo. Porém, esta fita nunca foi colocada ao nosso alcance, disse. Segundo ele, a versão obtida por familiares e diretores das empresas das vítimas é de que a torre deu prioridade a um Boeing, que estava em processo de decolagem, em detrimento a um avião em aterrissagem.
Como Carlito estava nos procedimentos finais, deveria ter recebido orientação para completá-los, aterrissando, e não para fazer curva, inclusive porque havia a emergência, acrescenta Jorge Guirado. Segundo ele, como a fita com a gravação não aparece, fica difícil aceitar esta espécie de condenação prévia. O advogado Roberto Wyppych Júnior, que representa a empresa que era dirigida por Tito Muffato, diz: Tentamos ter acesso à fita e a outros elementos, mas depois de um ano não conseguimos.


