Relatório mostra degradação ambiental
Além de garantir a própria sustentabilidade, os Kaingang também terão muito trabalho pela frente para tentar recuperar parte do que foi degradado com a construção da Usina Hidrelétrica de Apucaraninha, dentro da reserva. O mesmo relatório que ajudou o povo a ganhar na Justiça a indenização da Copel aponta que o empreendimento trouxe danos irreparáveis ao meio ambiente.
Segundo a professora Josefa Yabe, do Departamento de Química da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o estudo feito por ela e um grupo de pesquisadores em 2002, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), concluiu que toda a área fluvial abaixo da Represa do Fiú - um reservatório de regularização para a usina, próximo à área urbana de Tamarana - foi impactada pela construção. A obra foi feita há mais de 50 anos e, conforme Josefa, de imediato causou degradação ambiental.
Um dos efeitos mais graves é que, com a oscilação da água no reservatório, a vegetação submersa apodrece quando fica descoberta. Com isso, libera gás metano e contribui na geração do efeito estufa. ''Isso nos leva a concluir que as hidrelétricas não geram energia limpa. Pelo contrário, elas ajudam a provocar mudanças climáticas no planeta'', alertou. Além disso, os sedimentos depositados no fundo do rio retêm substâncias nocivas como agrotóxicos e fertilizantes.
Com relação à fauna, o relatório de impacto ambiental indica como ''notável'' a ausência de certas espécies de cascudo na amostragem coletada no rio, justamente aquelas utilizadas na alimentação dos índios. Os pesquisadores também deram pela falta de espécies migratórias nativas, o que pode ser consequência da barragem.
Embora grande parte do estrago seja ''irrecuperável'' - a essa altura até a destruição da usina causaria grande degradação, segundo a professora - ela afirma que ações como a recomposição da mata ciliar podem ajudar a amenizar o impacto. (V.N.)





