Dorico da SilvaO bombeiroCoronel Paredes com o relatório: ‘Declarações foram infelizes’O comandante do Corpo de Bombeiros (CB) de Londrina, tenente-coronel Ubirajara Paredes, divulgou na tarde de ontem o relatório conclusivo do processo administrativo - ou sindicância interna - que apurou o envolvimento de uma guarnição, formada por dois cabos e um soldado, com o sumiço de US$ 17 mil do apartamento do vereador Osvaldo Bergamin (PMDB).
A acusação de que os bombeiros seriam os responsáveis pelo desaparecimento do dinheiro - que estaria em um envelope no bolso de um paletó - teria sido feita pelo vereador no dia 4 de novembro último, durante um princípio de incêndio no quarto do apartamento dele, em prédio residencial no centro de Londrina.
‘‘A sindicância, que ouviu todos os envolvidos com o lamentável episódio - inclusive o vereador e familiares dele -, concluiu pela completa inocência da nossa guarnição. Felizmente, conforme esperávamos, não há qualquer dúvida sobre o correto comportamento de nossos homens, que apesar de constrangidos se submeteram a revista no próprio local do incidente e perante o vereador’’, afirma Paredes.

Arquivo FolhaO vereadorOsvaldo Bergamin: ‘Não fiz nenhuma acusação contra eles’Na opinião do comandante dos Bombeiros, o que houve foi um triste mal-entendido. ‘‘Não havia nenhum sentido na acusação; nenhuma possibilidade de veracidade nas insinuações contra a nossa guarnição. O que houve foi uma precipitação do vereador, talvez assustado com o incêndio no seu apartamento. As declarações dele, divulgadas pela imprensa, foram muito infelizes’’, comenta o comandante do Corpo de Bombeiros.
Segundo ele, o comando do CB do Paraná - com sede em Curitiba, e que ratificou a conclusão da sindicância - não considera necessária a tomada de providências na Justiça Comum para a reparação de danos causados à imagem da corporação pelo incidente. ‘‘Os dois cabos e o soldado envolvidos têm o direito, enquanto cidadãos, de tomar as providências particulares que considerarem cabíveis. Mas o Corpo de Bombeiros, como um todo, considera isso desnecessário, até porque recebemos inúmeras manifestações de apoio e solidariedade vindas da população e de autoridades de Londrina’’, ressalta Paredes.
O incêndio começou no quarto do vereador Bergamin e foi percebido pelo porteiro do edifício, logo após a saída do apartamento de uma filha dele á- Cristiane - e de uma empregada. Os bombeiros foram chamados e chegaram rapidamente. Segundo o comandante Paredes, enquanto a guarnição preparava os equipamentos para combater o fogo, o vereador também chegou ao local.
O fogo foi dominado em poucos minutos. O vereador entrou no quarto, foi até o armário e descobriu que haviam sumido US$ 17.700,00 de um envelope que estava no bolso de um paletó e continha US$ 25.000,00, recebidos recentemente na venda de um terreno. Foi naquele momento que começou o incidente. De acordo com os bombeiros e profissionais da imprensa, o vereador teria acusado os cabos e o soldado pelo desaparecimento do dinheiro.
O tenente Jair Pereira foi chamado ao local e, diante da desconfiança demonstrada pelo vereador, sugeriu a revista dos bombeiros. A revista foi feita, diante de Bergamin, e o dinheiro não foi encontrado. O 4º Distrito da Polícia Civil abriu inquérito para apurar o caso, mas ainda não concluiu as investigações sobre o autor do roubo. Laudo da Criminalística comprovou que o incêndio foi criminoso.
‘‘Não acredito que venha a ser processado pelos bombeiros, até porque em nenhum momento fiz qualquer acusação contra eles. Para mim, a parte deste caso que envolve os bombeiros está encerrada’’, afirmou Osvaldo Bergamin na tarde de ontem. ‘‘Os bombeiros estão fora de suspeição desde o dia do incêndio. A revista, sugerida e feita pelo tenente do CB, foi boa e tirou qualquer sombra de dúvida sobre o envolvimento deles com o dinheiro roubado. Para os bombeiros, eu apenas reclamei que o dinheiro havia sumido, sem fazer insinuação ou acusação contra eles.’’

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