Rubens Burigo Neto
De Curitiba
Deve ser entregue hoje para o ministro da Previdência e Assistência Social (MPAS), Waldeck Ornellas, um relatório preliminar sobre a fraude na emissão de Certidões Negativas de Crédito (CNDs) pela superintendência estadual do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Estão em Curitiba investigando o caso desde ontem, o coordenador geral de arrecadação, Wagner Primo Figueiredo Jr., e o coordenador geral de cobrança, João de Castro Neto, ambos funcionários da diretoria do INSS em Brasília. Extra-oficialmente está confirmado que a Justiça Federal vai assumir as investigações do caso.
‘‘Por determinação do ministro, eles não vão dar declarações até que o relatório esteja concluído’’, informou a assessora de imprensa do INSS , Célia Brandt. Em nota à imprensa, o ministro Waldeck Ornelas declarou que o ministério ‘‘vai realizar uma devassa na Agência da Previdência Social envolvida no caso de corrupção e nas demais agências de Curitiba para verificar se existem casos semelhantes’’ e também vai acompanhar as investigações ‘‘prestando toda colaboração possível para erradicar essa prática e excluir os envolvidos.’’
Ontem pela manhã, acompanhados do auditor regional do INSS de Porto Alegre, Manoel Paim, e da superintendente interina do INSS no Estado, Laura Bianco da Costa, Figueiredo e Castro Neto passaram mais de duas horas na Promotoria de Investigações Criminais (PIC) para analisar os documentos apreendidos na sexta-feria passada na casa do advogado José Loures Ribeiro.
Ele foi preso em flagrante, no momento em que recebia R$ 15 mil como pagamento para liberar uma CND para a procuradora de uma empresa. Ontem à tarde o advogado dele, César Zerbini, entrou com pedido de habbeas corpus no Tribunal de Alçada. ‘‘A decisão deve sair em três dias’’, disse Zerbini. Na segunda-feira ele pediu o relaxamento da prisão de Loures, mas o pedido foi indeferido.
O outro acusado de participar do esquema, Sandro Gomes Oliveira, chefe do posto de arrecadação e fiscalização do INSS, foi libertado anteontem, às 17 horas, depois de pagar fiança de 3 salários mínimos (R$ 408,00). A advogada dele, Ana Luiza Carlini, disse que ainda nesta semana ele vai prestar esclarecimentos à imprensa para explicar sua eventual participação no golpe.

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