Apontada por moradores do Jardim Califórnia, na zona leste, como uma das prováveis responsáveis pelos tremores e estrondos registrados desde dezembro do ano passado, a Sanepar divulgou ontem à tarde relatório no qual exclui a possibilidade de ligação entre a companhia e os fenômenos. O documento, de 52 páginas, foi entregue ao prefeito Alexandre Kireeff em reunião que contou com a presença de representantes da Defesa Civil e do geólogo da Universidade Estadual de Londrina (UEL), José Paulo Pinese.
Para chegar a essa conclusão, a companhia informou que, desde 15 de dezembro, realizou simulações de paradas das bombas (liga/desliga) em diversas ocasiões para comprovar se poderia haver alguma geração de onda de som ou movimento do fluido que pudesse causar tal anomalia. Porém, segundo o relatório, em nenhuma delas houve qualquer anormalidade no sistema, como golpes nas adutoras, atestando que o funcionamento das tubulações ocorre conforme previsto no projeto técnico. Para a Sanepar, isso significa que as tubulações e o equipamento de segurança funcionam em ótimas condições, conforme especificações técnicas.
"Já tínhamos bastante certeza disso. A primeira obra da Tibagi foi em 1991. O que nós fizemos foi a duplicação da adutora, com uma carga menor do que estávamos operando até 2014. Fizemos um levantamento da contratação do projeto e da elaboração da obra. Os testes mostraram que a tubulação é segura, não há o mínimo de ruído e não há risco de acidentes", observou o gerente geral da Sanepar na Região Nordeste, Sérgio Bahls, referindo-se à obra de duplicação.
Justificando que se trata de um estudo específico, o prefeito Alexandre Kireeff prometeu levá-lo ao conhecimento do Centro de Tecnologia e Urbanismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) para fazer uma análise que possa levar "à interpretação correta deste relatório".
O chefe do executivo passou boa parte da madrugada de segunda-feira no Jardim Califórnia e, na presença de alguns moradores, relatou ter sentido pequenos abalos. "Foram dois eventos de baixa intensidade. São estrondos de impacto leve", pontuou o prefeito, que prometeu continuar investigando o caso.
Um segundo relatório do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), apresentado na última sexta-feira, concluiu que os estrondos em Londrina são decorrentes de pequenos tremores de terra com foco na camada de rocha basáltica, abaixo da camada de solo. O géologo da UEL, José Paulo Pinese, que acompanha os estudos, revelou que novos aparelhos podem vir de São Paulo para ajudar na leitura. Ele informou ainda que os relatórios passarão a ser quinzenais.

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