O relatório da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) sobre as exumações de 62 cadáveres no cemitério Santa Cândida, em Curitiba, que seria divulgado ontem , será conhecido somente na segunda-feira. A operação de abertura das 43 covas levou três dias e foram constatadas diversas irregularidades, além da presença de lixo hospitalar em algumas sepulturas. As exumações foram pedidas em conjunto pela PIC e a CPI Estadual do Narcotráfico que investiga um possível comércio de cadáveres entre as universidades de medicina e o Instituto Médico Legal (IML).
Segundo o relator da CPI, deputado estadual Ricardo Chab (PTB), as exumações foram ao encontro das suspeitas levantadas durante os depoimentos realizados na CPI. ‘‘Ficou demonstrado o descaso das universidades com os corpos’’, disse Chab.
Entre as irregularidades cometidas estão o enterro de vários corpos na mesma cova, o que contraria a Lei Federal 8.501; a presença de seringas, papéis e uma garrafa de refrigerante entre os cadáveres e aproximadamente 50% dos corpos incompletos. ‘‘Ouviremos os responsáveis desses setores nas universidades para que nos expliquem essa situação’’, afirmou o deputado.
Os corpos exumados foram em sua maioria, enterrados entre 1997 e 1998 e cerca de 70% estavam sepultados em covas pertencentes às universidades Tuiuti e Federal do Paraná, que juntamente com a Pontíficia Universidade Católica (PUC/PR), Faculdade Espírita e Faculdade Evangélica estão na lista de entidades suspeitas.

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