Foi apresentado ontem na Câmara Municipal o relatório com as conclusões da comissão especial criada para apurar as causas da crise financeira e administrativa do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Curitiba (IPMC). As revelações da comissão apontam basicamente para problemas na gestão de recursos e tráfico de influência praticado por pessoas ligadas à direção do instituto.
Aprovado por unanimidade pela comissão, o relatório passa agora pela assessoria jurídica da Câmara. Na sequência irá para votação em plenário e depois as denúncias serão encaminhadas ao Ministério Público, Tribunal de Contas e Procuradoria Geral do Município.
O vereador Tadeu Veneri (PT), relator da comissão, explicou que independente da votação no plenário, a documentação levantada durante as investigações será encaminhada para a Justiça. Por se tratarem de denúncias que apontam ações e relações lesivas ao poder público, o relatório pode ser enviado para investigação judicial mesmo sem o consentimento dos demais vereadores.
Instaurada em novembro do ano passado, a comissão foi motivada por diversas denúncias de servidores do município que reclamavam do atendimento pelo IPMC. Entre as principais denúncias levantadas pela comissão, está o suposto superfaturamento na compra de um imóvel. De acordo com informações do relatório, em novembro de 1995 o IPMC pagou R$ 1,43 milhão pelo Edifício Alexandria. Esse prédio teria sido alugado pelo órgão entre novembro de 96 e abril de 97 para a Secretaria Municipal de Turismo. Depois disso o prédio ficou fechado, permanecendo desocupado até os dias de hoje.
Todas as transações administrativas e financeiras do IPMC que foram investigadas pela comissão envolvem um capital superior a R$ 50 milhões. A questão defendida pela comissão é de que o município deve muito dinheiro ao instituto. Segundo Tadeu Veneri, os membros da comissão esperam que os órgãos competentes acatem as denúncias, avaliem o relatório e tomem as providências cabíveis, inclusive com o ressarcimento de valores nos casos em que for necessário.
Na tarde de ontem o secretário municipal de Adminstração, José Alberto Reimann, que atualmente acumula o cargo de presidente do IPMC, disse que ainda não tinha conhecimento do conteúdo do relatório apresentado pela comissão. O secretário afirmou que na atual gestão não existe nenhuma irregularidade no IPMC.

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