Curitiba - A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados divulgou ontem o relatório sobre a ocupação da fazenda experimental da Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste, no Paraná. O texto acusa o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Via Campesina de práticas análogas às de terrorismo. ''A liberdade de ação desses grupos radicais, que se consolida pela leniência das autoridades, tem provocado uma grande inquietação no seio da sociedade brasileira como um todo'', afirma no relatório o deputado Eduardo Sciarra.
Os parlamentares estiveram na propriedade depois que uma ação de reocupação da fazenda terminou na morte de duas pessoas, um funcionário da Funpar e um segurança da empresa NF Segurança. A área foi desocupada em julho de 2007 após diversas liminares que obrigaram o governo do Paraná a cumprir o mandado de reintegração de posse. No dia 21 de outubro, o MST e a Via Campesina voltaram ao local. Um grupo de seguranças que havia sido expulso da fazenda voltou à região. Houve troca de tiros. Além das mortes pelo menos seis pessoas ficaram feridas.
''O governo do Estado foi conivente com os abusos desses movimentos'', acusa Sciarra. O relatório da Comissão sugere como encaminhamento o envio do texto ao Ministério Público do Estado e à Assembléia Legislativa.
O secretário de Segurança Pública de Paraná, Luiz Fernando Delazari, disse que só vai comentar o relatório depois que tiver acesso a seu conteúdo. ''A atuação do governo no caso foi absolutamente adequada'', afirma.
A Comissão deve encaminhar ao Ministério de Relações Exteriores e ao Ministério da Justiça denúncias conta a Via Campesina e o MST. As duas instituições informaram à FOLHA que só vão se pronunciar sobre o caso depois que tiverem acesso ao relatório.

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