A recuperação da credibilidade da classe política brasileira com os eleitores passa por uma reversão radical de atitude, além de muita paciência, pelo menos até que a população volte a acreditar em suas palavras. Essa é a opinião da psicóloga Fátima Cristina de Souza Conte, que aceitou o desafio de tentar transpor para o cenário político os conceitos e pressupostos das relações interpessoais tratadas no dia-a-dia da psicologia clínica.
De acordo com ela, a relação de confiança é construída por meio de alguns pressupostos:''Que as pessoas sejam transparentes e verdadeiras; saibam respeitar os sentimentos do outro, sem pré-julgamentos; e se portem com coerência entre as palavras e os atos''.
Na visão de Fátima Conte, a descrença da população com os políticos decorre da transgressão de praticamente todos esses elementos. ''As pessoas sentem que os políticos são falsos e não se preocupam com seus problemas''. Para recuperar a credibilidade, eles teriam que começar a ser honestos, coerentes, e a perseverar na nova atitude, porque ''a mudança é de longo prazo''.
A psicóloga Marta Helena Haddad Guterres acrescenta que a quebra da confiança leva a um quadro de desesperança, tristeza e apatia dos eleitores. ''Quando a crença é abalada, a desestruturação da relação é uma consequência imediata''. Ela acredita, porém, que a crise de confiança no Brasil não atinge apenas a classe política, mas as relações sociais em geral.
''Não é só o político que transgride as regras. Em nosso País, o próprio cidadão que não respeita as regras de trânsito, burla os impostos, por exemplo, coloca-se na mesma situação. É uma história cultural'', avalia. Segundo Marta, a imprensa livre tem um papel fundamental para reverter a situação porque pode ajudar o eleitor a diferenciar o que são promessas puramente eleitoreiras das propostas que verdadeiramente podem beneficiar a sociedade em geral.(F.C.)

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