Ao focar o universo das empregadas domésticas na novela Cheias de Charme a Rede Globo alavancou a audiência no horário das sete da noite. As empreguetes, como são chamadas as personagens principais do folhetim, ironizam de forma cômica as patroas malvadas em um videoclipe que já teve mais de 5 milhões de acessos. Já na vida real muitas vezes essa relação rompe as fronteiras profissionais e o lado afetivo acaba falando mais alto, a ponto das funcionárias serem consideradas membros das famílias para quem trabalham.
''A Fátima é tão querida pela minha família que meu marido presenteou cada um dos nossos três filhos com um apartamento e deu uma casa de presente para ela, pois a considera como uma filha''. A afirmação da comerciante Maria Alice Rigo não deixa dúvidas quanto à relação de amizade que nutre pela empregada Maria de Fátima Biguetti. ''Em julho faz 31 anos que ela trabalha comigo e mora em minha casa. Para mim é como se ela fosse uma irmã'', diz .
Dona Alice enfatiza que a relação das duas é de profunda amizade e que tem confiança plena em Fátima. ''Ela mora com a gente e comanda tudo aqui em casa. É a Fátima quem decide o cardápio das refeições, organiza a casa e até dá bronca nos meus filhos quando é necessário. Todos eles já são adultos e casados, mas até hoje ela dá umas broncas neles quando é necessário e muitas vezes eles respeitam mais ela do que eu'', afirma a patroa.
''Eu gosto tanto de trabalhar e morar com a dona Alice que na minha folga semanal vou pra casa da minha mãe depois do almoço e já volto correndo no final da tarde, pois sinto que aqui é a minha casa'', diz Fátima. Ela afirma que com a relação de proximidade sente-se como membro da família dos patrões. ''Eles nunca me trataram como empregada, eu sempre comi na mesa com eles, assistimos televisão juntos, eles me levam nas viagens que fazem. Eu e a dona Alice somos amigas e confidentes uma da outra e eu também considero os filhos dela como se fossem meus irmãos'', diz Fátima.
Alice atribui à sua forte religiosidade o encontro com Fátima. ''Sou católica, canto nas missas e participo de grupos de oração. Acho que em retribuição ao meu trabalho na Igreja, Deus resolveu colocar a Fátima em nossa vida. Ela é um verdadeiro presente divino'', elogia a patroa.
Herança
A relação profissional e de amizade entre Adriana Figueiredo Yanes e Tatiane Batista foi herdada de suas respectivas mães. ''A mãe da Tatiane trabalhou para minha mãe por mais de 20 anos e as duas eram muito amigas. A Tati veio trabalhar com a gente há nove anos, depois que a mãe dela se aposentou'', explica a professora e comerciante Adriana.
Atualmente Tatiane trabalha para Adriane uma vez por semana. ''Na casa da minha mãe ela vai duas vezes por semana. Nestes dias eu fico em paz, pois tenho plena confiança na Tati. Minha mãe é viúva e mora sozinha e a Tati cuida dela melhor do que eu. Além disso a Tati é super bem humorada, inteligente e dedicada'', elogia a patroa.
Ela diz que os dias em que a Tati está trabalhando são os mais animados em sua casa. ''Esperamos por ela para tomarmos o café da manhã juntas, minha mãe prepara as comidas preferidas dela e, quando a Tati está de regime, todas nós entramos da mesma dieta'', ressalta Adriana.
A professora diz que as únicas 'broncas' dadas a Tati foram em relação aos erros de português que ela cometia. ''Antes nós a corrigíamos quando falava errado, mas agora ela já aprendeu as regras básicas de português. Ela sabe que a gente faz isso para o seu bem. É uma bronca carinhosa. A única exigência que faço é que a Tati continue trabalhando comigo e cuide de mim quando eu estiver velhinha'', afirma Adriana.
Tatiane também não poupa elogios às duas patroas. ''Aprendi a falar e a me vestir corretamente com elas. A mãe da Adriana me ensinou a fazer tricô e crochê. Elas me mostraram a importância de dar uma alimentação saudável para os meus filhos e sempre me trataram muito bem. Eu e a Adriana trocamos segredos e queremos muito o bem uma da outra. Infelizmente, nem todas as empregadas e patroas se dão tão bem quanto a gente. Muitas colegas de profissão se queixam de seus patrões, mas eu não tenho do que reclamar, só posso agradecer esse carinho todo me dedicando cada vez mais ao meu serviço'', conclui.

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