Relação polícia/escola é conflitante
Mauro FrassonAna Sallas diz que para os pesquisados a polícia é um ‘‘mal necessário’’De CuritibaUma avaliação especial sobre a ação da polícia foi realizada na pesquisa. O motivo foi a constante relação entre a violência e a corporação. Os policiais da Patrulha Escolar foram ouvidos. O resultado demonstrou que os professores acabam solicitando a presença de policiais, mesmo quando se trata de assuntos internos, como separar brigas de alunos ou, inclusive, para orientar quanto a limpeza pessoal.
A relação da polícia é conflitante. Em determinados momentos, eles alegam que a polícia abusa nas ações. Porém, eles não refutam que sem ela a situação da violência seria maior. A coordenadora da pesquisa, a socióloga Ana Luisa Fayet Sallas, informou que para os pesquisados a instituição é um ‘‘mal necessário’’.
Em uma palestra para professores da Secretaria de Estado da Educação, a socióloga informou que os policiais seriam o único referencial de limites e autoridade que os alunos possuem. Nem os pais ou os professores teriam essa autoridade, indispensável para estabelecer limites.
Na pesquisa, os policiais reclamaram que são acionados para disciplinar alunos problemáticos, que são denominados pelos professores ou diretores como membros de gangues. ‘‘É preciso distinguir gangues de grupos que andam juntos para se defender de assaltos’’, afirmou Ana Luisa.
A pesquisadora Ana Luisa Fayet Sallas considera que a violência entre jovens é reflexo de uma sociedade excludente, que discrimina pela classe social, racial e sexual. ‘‘Os estudantes entendem que quem é pobre, negro e homossexual está ferrado’’, afirmou Ana Luisa, que coletou as opiniões dos jovens por questionários e entrevistas.
A socióloga afirmou que o morador de Curitiba estabelece bem os níveis em que cada pessoa pode percorrer. ‘‘Este componente estava presente também nos levantamentos feitos junto aos pais, professores e policiais’’, informou.

mockup