Rejeição ao exame será menor, prevê professor
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quarta-feira, 04 de junho de 1997
Lucília Okamura 
Milton DóriaEfeitosAntonio de Carvalho: Mesmo com deficiências, a grande vantagem foi tirar os cursos da acomodaçãoO Exame Nacional de Cursos, conhecido como provão, será realizado pelo segundo ano consecutivo no dia 29 deste mês em todo o País. Ao contrário de 96, quando houve reação negativa ao exame, com boicote e até tumulto no dia da prova, neste ano a rejeição deve ser bem menor. A avaliação é do membro da Comissão de Avaliação de Odontologia do Ministério de Educação (MEC), professor Antonio Cesar Perri de Carvalho, que proferiu ontem palestra a estudantes da Faculdades Integradas Norte do Paraná (Unopar).
Antonio Carvalho é também professor titular da Univesidade Estadual Paulista (Unesp), de Araçatuba, e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP). Ele é ainda um dos responsáveis pela elaboração das questões de Odontologia. Na sua opinião, a rejeição ao provão, realizado no dia 10 de novembro de 96, aconteceu porque muitos imaginavam que o exame seria a única forma de avaliação dos cursos superiores. Na verdade, o Exame Nacional de Cursos é um dos instrumentos de avaliação do MEC, observa.
Com a divulgação dos resultados, em abril deste ano, Antonio Carvalho afirma que houve um estímulo para as instituições de ensino superior refletirem e tomarem providências para melhorar o nível dos cursos. Mesmo com eventuais deficiências e dificuldades do exame, a grande vantagem foi tirar os cursos da acomodação, afirma.
O professor acredita que, como está mais conhecido, a tendência para o próximo provão é da rejeição e boicotes serem menores. Os alunos que não comparecerem serão prejudicados porque não poderão retirar o diploma e comprometerão a instituição.
No ano passado, o índice de boicote ficou em aproximadamente 10% em Engenharia Civil, o mais afetado dos três cursos submetidos ao provão. Formandos de Administração e Direito também fizeram o exame. O professor acredita que a tendência atual é das instituições esclarecerem a situação e falarem aos estudantes da importância do comparecimento ao exame.
Além de servir para as instituições avaliarem os seus cursos, o provão será utilizado também para o recredenciamento ou não das faculdades junto ao MEC. Antonio Carvalho afirma que algumas faculdades serão fechadas, inclusive porque algumas já estão sob intervenção.
Para o provão deste ano, foram incluídos os formandos de Odontologia, Medicina Veterinária e Química. O professor explica que, gradualmente, mais cursos serão inseridos no exame.
Serão realizadas pequenas modificações no provão deste ano. Uma delas diz respeito à primeira parte do provão, que inclui questões sócio-econômicas do estudante e sua avaliação sobre o curso. Esta parte será entregue junto com a inscrição ao estudante, que deve respondê-la e entregá-la no dia da prova. Em 96, estas questões foram respondidas no dia do Exame. Ficava apertado para o aluno responder as duas partes, observa.
A partir deste ano, o Exame Nacional de Cursos será realizado sempre no primeiro semestre. Antonio Carvalho diz que alguns estudantes têm defendido a realização do provão no final do ano, mas ele alega que o profissional não se forma nos últimos meses do curso. Além disso, ele observa que é preciso haver tempo hábil para avaliação do exame e, consequentemente, a emissão do diploma. A previsão é que o resultado deste ano seja divulgado até outubro.


