Reitoria agora quer levar para o câmpus a Casa do Estudante
Reitoria agora quer levar para
o câmpus a Casa do Estudante
Lucilia Okamura
Paulo WolfgangPonto valorizadoCasa do Estudante, ao lado do RU, localizado em área nobre da Cidade: à espera da zona comercialLocalizado na rua Paranaguá (área central e nobre da Cidade), o prédio que abriga a Casa do Estudante da Universidade Estadual de Londrina (UEL) já foi palco de muitas manifestações estudantis e também de muitas festas. Até a década de 90, funcionava no local o Restaurante Universitário (RU). Com a inauguração do RU no câmpus, o destino do prédio está sendo discutido pela reitoria. A intenção é de vender o imóvel e construir uma Casa do Estudante no câmpus universitário.
O prédio de dois pavimentos da Casa do Estudante foi adquirida pelo governo do Estado em 1973. Um ano depois, no local, começava a funcionar o Restaurante Universitário, que durou até 1991. Segundo informações da UEL, a área construída é de 750 metros quadrados.
O reitor em exercício da universidade, Décio Barbosa de Souza, diz que existem estudos e até um projeto de construir uma Casa de Estudante no câmpus. Segundo ele, a Casa poderia ser erguida próximo ao RU e teria alojamentos também para atender professores e estudantes estrangeiros. De acordo com o projeto, a Casa teria dois mil metros de área construída e serviria para abrigar 100 moradores.
A viabilização do projeto está vinculado à venda da área do centro. Décio de Souza explica que o imóvel não é colocado à venda agora porque a UEL está esperando uma possível mudança de zoneamento na região de residencial para comercial.
Esta mudança de zoneamento, que está dentro dos estudos do Plano Diretor de Londrina, segundo o reitor, valorizaria o imóvel. Segundo análise preliminar realizado pela UEL, se a região for transformada em zona comercial, o terreno poderia ser vendido por aproximadamente R$ 650 mil. Se a mudança não acontecer, vamos estudar outras alternativas para colocar o projeto em prática, ressalta.
Décio de Souza afirma que existe um empenho particular do reitor licenciado, Jackson Proença Testa, em construir a Casa do Estudante no câmpus. O sonho dele era o RU no câmpus. Agora, o próximo sonho é a Casa, observa.
O imobiliarista Abílio Medeiros ressalta que a Casa do Estudante está localizada em uma área nobre, em uma região bastante privilegiada. Segundo ele, o imóvel vale pelo terreno e não pelo prédio ali construído. O prédio poderia ser demolido para fazer um novo empreendimento, observa.
Com a mudança de zoneamento, o imobiliarista acredita que o local serviria para qualquer empreendimento, tanto residencial quanto comercial. Com certeza, vai haver bastante interesse se o imóvel for colocado à venda e se houver mudança de zoneamento, afirma.
Atualmente, moram na Casa do Estudante 54 pessoas, entre homens e mulheres. São dois moradores em cada quarto, explica o estudante de Ciências Sociais, Marco Aurélio Dinhane. Os estudantes são de vários Estados, como Maranhão e Rondônia, mas a grande maioria é de São Paulo. A faixa etária varia de 18 a 33 anos.
Marco Aurélio Dinhane explica que a diretoria da Casa faz um cadastro das pessoas interessadas em morar no local, mas a triagem final fica por conta do Núcleo de Bem-Estar da Comunidade (Nubec), órgão da UEL. A seleção acontece por ordem de chamada, de acordo com a disponibilidade de vagas.
Além dos quartos, a Casa do Estudante é composta por três banheiros coletivos, duas cozinhas coletivas, uma sala de estudos, uma sala de TV e um quintal. O espaço onde funcionava o Restaurante Universitário está fechado.
A UEL se encarrega de pagar as taxas de água, luz e telefone, além de ceder cozinheiras, faxineiras e um guarda noturno. Outras despesas são pagas pelos estudantes através da comercialização do espaço publicitário em frente ao prédio.
Outra fonte de renda era a locação do antigo espaço do RU para a realização de festas. Segundo Marco Aurélio Dinhame, as festas foram proibidas, sendo que a última foi realizada em setembro do ano passado. Ele conta que antes o aluguel para a promoção de festas girava em torno de R$ 160,00.
Sobre a proposta da reitoria de construir uma Casa no campus, os estudantes acreditam que o assunto deveria ser melhor discutido com a comunidade universitária.
Mostrando vários sinais de infiltração nas paredes e no teto, os estudantes reclamam que é preciso fazer uma reforma no local. A última reforma aconteceu em 1992, lembra o estudante de Física, José Vicente Zenf. A estudante de Ciências Biológicas, Luciana Akemi Kimura, observa que a fiação elétrica é bastante antiga, o que resulta em acidentes. Ela conta que uma vez um dos moradores ligou a televisão e houve um curto-circuito que provocou a queda de energia na Casa toda.
Décio Barbosa de Souza afirma não ter conhecimento da reivindicação dos moradores sobre uma reforma estrutural. Mas observa que a manutenção e conservação são realizadas sempre que solicitadas. Temos que manter o prédio bem conservado para que o patrimônio não se desvalorize, observa.





