Curitiba Os reitores das universidades e faculdades estaduais fizeram ontem uma mobilização na Assembléia Legislativa tentando garantir recursos orçamentários para o pagamento dos funcionários. As maiores reclamações foram centradas nos baixos salários pagos nas universidades, na falta de pessoal e na perspectiva de que os hospitais universitários tenham até que fechar as portas por falta de médicos capacitados e concursados para fazer cirurgias. O Hospital Universitário de Londrina, por exemplo, que realizava 600 cirurgias por mês, está com um acúmulo de 2 mil cirurgias por falta de anestesistas.
''O governador (Roberto Requião) autorizou a contratação dos médicos, mas os salários pagos são ridículos. Ninguém quer ser anestesista e ganhar o que o Estado paga. Fizemos três concursos e não conseguimos preencher as vagas. A crise é intensa'', reclamou ontem Lygia Pupato, reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O curso de mestrado de engenheiros elétricos está sendo fechado por falta de docentes, que estão indo dar aulas em outras instituições. ''Precisamos que algo seja feito emergencialmente para evitar que as universidades nem abram as portas no ano que vem por falta de pessoal'', enfatizou.
O reitor da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), Vitor Hugo Zanetti, foi mais enfático. Ele acredita que as universidades e as 12 faculdades estaduais estão entrando um um colapso financeiro. ''O problema das universidades é crítico. Não estamos apenas com problemas nos hospitais universitários e no ensino. Os projetos sociais de pesquisa e extensão vão parar também. O colapso é social'', disse Zanetti.
Os reitores rejeitaram a proposta orçamentária do governo do Estado que está na Assembléia Legislativa e que prevê a destinação de R$ 380,8 milhões para pagamento de pessoal. O valor é menor do que o que entrou em vigência esse ano e que previa destinação de aproximadamente R$ 398 milhões. O déficit orçamentário para pagamento de pessoal chega a R$ 18 milhões, pegando apenas os salários pagos em julho de 2004.
A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), por exemplo, perderia R$ 5 milhões no ano que vem, se a proposta fosse aprovada da forma como foi encaminhada pelo governo estadual. ''A verdade é que 17 mil pessoas estão aguardando uma resposta positiva do governo do Paraná. Precisamos de mudanças e melhorias salariais'', reivindicou Paulo Roberto Godoy, reitor da UEPG e presidente da Associação Paranaense de Instituições de Ensino Superior Público. De acordo com Godoy, um médico que trabalhe 20 horas semanais recebe cerca de R$ 500 mensais. Um auxiliar de manutenção, obras ou vigilância, que trabalhe em expediente integral, recebe R$ 400 bruto.
''É inconcebível que nada se faça. O prejuízo causado até agora para as universidades é irreparável'', afirmou o deputado estadual Elton Welter, líder da bancada do PT. Ele se comprometeu ontem a encaminhar a solicitação dos reitores ao governador Requião. O presidente da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa, Tadeu Veneri (PT), propôs que seja discutida uma emenda de plenário para garantir a autorização orçamentária de recursos no mínimo similiares aos que foram aprovados para 2004. Os valores serão discutidos numa audiência pública marcada para o dia 23 de novembro.

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