A reitora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Liana Vasconcelos, rebateu ontem acusações que pesam sobre ela, um ex-assessor e sobre a própria instituição, de que teria havido desvio de recursos e gastos excessivos, ao mesmo tempo em que ela reclama da escassez dos recursos repassados pelo Estado. As acusações vêm se acumulando nos últimos dias. Ontem, a reitora convocou entrevista coletiva para dar explicações.
Um dos casos envolve o ex-assessor especial de Liana, o publicitário Elias Klaime que, de fato, era o chefe da assessoria de comunicação social. Segundo a versão oficial, ele pediu demissão (no final de junho) por não conseguir compatibilizar a função com atividades particulares. Klaime teria obtido recursos de prefeituras da região, a título de ‘‘divulgação’’ de inscrições para vestibulares realizados nas extensões de Santa Helena e Palotina e no câmpus de Foz do Iguaçu. Há informações que o montante chegaria a R$ 70 mil.
Segundo a reitora, a divulgação ‘‘ficou por conta das prefeituras, porque a Unioeste não tem recursos’’, mas ela não soube dizer o volume de dinheiro entregue pelas prefeituras, nem em que órgãos de comunicação teriam sido investidos. ‘‘Não há prova de que o dinheiro tenha sido desviado, e nem de que o nome da Unioeste foi usado para isso’’, disse. Procurado pela Folha, Elias Klaime disse que foram ‘‘cerca de R$ 27 mil, aplicados em vários órgãos da própria região, que faturaram diretamente contra as prefeituras, em alguns casos talvez através de agências de publicidade’’.
Outra acusação é que a Unioeste gastou R$ 12,5 mil na impressão de seu jornal em uma gráfica da cidade, apesar de ter sua própria gráfica. Segundo a reitora, a gráfica tem ‘‘máquinas obsoletas que ficaram muito tempo sem manutenção’’, o que não permitiria imprimir o jornal. Liana também respondeu à acusação de haver ‘‘empreguismo’’ no quadro de assessores e 100 cargos comissionados, muitos dos quais poderiam ser extintos, com economia de recursos. ‘‘Os cargos são necessários, e os que os ocupam o fazem por competência’’, disse, sem informar o custo.
Liana também disse não saber valores gastos em um ‘‘café da manh㒒 em Brasília, no final de abril, com participação sua, assessores e diretores de câmpus, e deputados federais paranaenses – mais de 20 pessoas –, a título de ‘‘divulgação’’ da Unioeste para fim de obtenção de recursos federais. Houve gastos com passagens de avião, hospedagem (Hotel Naum, 4 estrelas) e com a recepção aos políticos. ‘‘A reitoria e cada câmpus pagaram sua conta’’, resumiu. Liana também desmentiu a locação ao custo de R$ 200,00 de um automóvel Marea, para seu uso e de diretores. ‘‘É de apenas R$ 60,00 ao dia’’, justificou.
Liana autorizou adicional de 40% nos salários de motoristas da Unioeste. A justificativa é de que outras universidades também o fizeram, houve autorização dos conselhos da Unioeste, e os motoristas prestam serviços complementares como ‘‘limpeza e manutenção dos carros’’. A reitoria também comentou o destino dado à sobras de R$ 994 mil geradas pelas inscrições do vestibular de dezembro do ano passado. ‘‘Foram, distribuídas entre os câmpus, de forma criteriosa.’’ Ela negou que, em função de suspeitas sobre irregularidades, a reitoria estivesse sob ‘‘intervenção branca’’ do Estado.

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