Luciana Pombo
De Curitiba
Servidores técnico-administrativos, professores e estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) participaram ontem de uma assembléia em defesa da universidade pública e de qualidade e contra o projeto de autonomia universitária elaborado pelo Ministério da Educação (MEC). A atividade fez parte do Dia Nacional de Paralisação em Defesa da Educação. Segundo o reitor da UFPR, Carlos Antunes dos Santos, o projeto do governo federal não prevê garantias de financiamento das instituições, o que poderá levá-las a falência. ‘‘Acho que as universidades correrão o risco de serem inviabilizadas’’, afirmou.
Outros pontos negativos da proposta, de acordo com Antunes, são a elaboração de um contrato de gestão imediatista, instabilidade do quadro de professores e funcionários e proposta de intervenção federal nas universidades. ‘‘O projeto está na contramão da autonomia universitária, tirando as garantias que temos atualmente’’, argumentou.
Antunes defende a elaboração de um plano de desenvolvimento alternativo para ser encaminhado ao Congresso Nacional. No próximo dia 22, reitores de todo o País deverão se reunir em Brasília para discutir o assunto. Da reunião, deverá ser formulada uma proposta alternativa de autonomia universitária que garanta recursos para as universidades e permita que os processos internos sejam menos burocráticos. A proposta terá a assinatura da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino (Andifes). ‘‘Somos contra a radicalização. Mas temos que fazer resistência a esse projeto que o MEC quer encaminhar para a apreciação do Congresso Nacional’’, afirmou ele.
Os estudantes reclamam da elaboração de um novo projeto. Eles acreditam que o momento é de pressão. ‘‘Não podemos confiar num Congresso que aprova tudo a toque de caixa’’, disse o coordenador geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Jeferson Choma. Entre os principais prejuízos do ensino com a proposta do MEC, de acordo com ele, podem ser destacados o término do financiamento público e a possibilidade de intervenção nas universidades.
O presidente da União Paranaense dos Estudantes (UPE), Fernando Delicato, vai mais longe. Ele acha que o projeto abre espaço para a cobrança de mensalidades nos cursos de pós-graduação. ‘‘Isso é o desmantelamento do ensino público brasileiro. Entregaremos à iniciativa privada o direito à pesquisa e à produção de conhecimentos’’, afirmou ele.

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