Londrina

Arquivo FolhaCaosO prédio do HU tem 50 anos e foi construído para ser um sanatório para tuberculososApesar de toda expectativa formada em torno da viagem do reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jackson Proença Testa, a Curitiba, o resultado pode ser considerado decepcionante. Até agora, não há nenhuma novidade sobre quando serão liberados os R$ 30 milhões, previstos no Orçamento do Estado para o ano de 1996, para reforma e ampliação do Hospital Universitário (HU). O hospital passa por profunda crise em função das péssimas condições estruturais do prédio e necessita de reformas urgentes.
Testa viajou na última semana e manteve encontros com Marcos Pessoa, da Secretaria de Ciência e Tecnologia, e também Miguel Salomão, secretário de Planejamento. A passeata dos sem-terra, que chegou semana passada a Curitiba, tomou a agenda do governo e acabou inviabilizando encontros do reitor com o chefe da Casa Civil, Rafael Greca, e com o próprio governador Jaime Lerner, como era esperado.
A única decisão tomada em Curitiba, na conversa do reitor da UEL com os secretários, foi agendar nova reunião para discutir a crise do HU - desta vez com a presença das secretarias da Ciência e Tecnologia, Planejamento e Saúde. O diretor-superintendente do HU, Cláudio Camacho, também estará presente, além do próprio reitor. O reitor diz que aguarda apenas um sinal do governo, marcando a reunião, para que ele volte a Curitiba. Camacho deverá levar, novamente, os projetos de reforma e ampliação do hospital para serem discutidos.
Até que a reforma não aconteça, o HU é obrigado a conviver com os mais variados tipos de problemas em sua estrutura física. A começar pela própria origem do prédio, que foi construído há 50 anos para atender um sanatório de tuberculose, e não hospital. Por isso, a estrutura médica foi toda adaptada.
O prédio ainda apresenta problemas nas redes hidráulica e elétrica, rachaduras nos corredores, e não tem ao menos saídas de emergência para o caso de incêndio. O projeto para reforma e ampliação já está concluído, inclusive com maquete pronta da obra. A Assembléia Legislativa destinou para 96 os R$ 30 milhões necessários, mas o dinheiro nunca apareceu. Enquanto isso, cerca de 18 mil pessoas utilizam o pronto-socorro do hospital a cada 30 dias, tempo em que também são feitas quase mil internações e 600 cirurgias.
O HU também acabou sendo um dos principais assuntos na reunião ordinária do Consórcio Comunitário de Londrina, realizada no último sábado. Segundo o presidente da entidade, Moisés dos Santos, ficou decidido que será organizado um abaixo-assinado, entre lideranças da região, reforçando o pedido para que os R$ 30 milhões sejam liberados.
‘‘Nós vamos pedir uma audiência com o governador Jaime Lerner e entregar esse documento, com a cópia da ata de nossa reunião’’, diz Santos. Ele garante que, se o governo não agendar a audiência, os integrantes do Consórcio vão acampar em frente ao Palácio Iguaçu, até serem recebidos.

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