O comando grevista dos servidores das universidades estaduais - UEL (Londrina), UEM (Maringá) e Unioeste (Cascavel) - se reuniu ontem à tarde com o reitor da UEL, Pedro Gordan, para tentar revogar os atos executivos assinados por ele na semana passada, exigindo o retorno ao trabalho. Gordan reiterou sua vontade de manter os atos e afirmou que irá estudar até a semana que vem a convocação dos mais de 70 membros do Conselho Universitário, órgão máximo da universidade. A paralisação completa hoje 139 dias. Os servidores prometem realizar protestos diários até que os atos sejam derrubados.
Os atos executivos do reitor também dominaram as discussões durante a reunião do comando estadual de greve em Londrina, que começou por volta das 22 horas de anteontem e só terminou às 5 horas da manhã de ontem. O encontro foi convocado para discutir a proposta apresentada pelo governador Jaime Lerner (PFL), de repassar um percentual fixo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) recolhido no Estado às universidades. No final, o comando decidiu pela continuidade da paralisação.
O reitor decidiu-se pela assinatura dos atos executivos em resposta a liminares concedidas pela Justiça no mês passado. Uma das liminares, da Justiça Estadual, determina a liberação dos portões do Hospital Universitário (HU) e Hospital de Clínicas (HC) e a volta ao trabalho em 24 horas, sob pena de a UEL e as entidades associativas e sindicais arcarem com multa diária no valor de R$ 15 mil.
A segunda liminar foi concedida pela Justiça Federal, determinando a volta ao trabalho de 75% dos servidores e professores no prazo de cinco dias. Nos dois casos, a Justiça atendeu a pedidos do Ministério Público.
O comando grevista apontou que os atos executivos deveriam ser discutidos antes pelo Conselho Universitário e que estão ‘‘produzindo efeito danoso’’ junto aos servidores, ‘‘que já começam a perceber (por parte do reitor) uma posição pró-Governo’’. Além disso, segundo os sindicalistas, muitos servidores - como os que estão em estágio probatório (sem estabilidade) - estão retomando suas atividades porque temem represálias e punições, sobretudo depois que os relógios de ponto foram lacrados e a frequência passou a ser controlada por folha-ponto.
Pedro Gordan rebateu as críticas do comando estadual de greve. Ele disse que revogar os atos ‘‘é ir contra o que eu penso’’. O reitor alegou que como representante jurídico da universidade teria que cumprir a ordem judicial.
Gordan disse ainda que o Conselho Universitário pode discutir a questão. ‘‘Mas se houver censura, terei que rever minha posição na reitoria.’’ Ele considerou que a vinda de sindicalistas das outras duas universidades estaduais em greve para tentar revogar seus atos faz parte de ‘‘uma pressão alienígena’’.

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