Reitor diz que Unicentro dobrou de tamanho e repasse diminuiu
Com a instituição do termo de autonomia assinado pelo governador Jaime Lerner e pelos reitores das Instituições de Ensino Superior (IES) no dia 18 de março, as universidades em fase de consolidação - Unicentro e Unioeste - conseguiram garantir, além da folha de pagamento, um adicional de recursos provenientes para as instituições.
Para o reitor da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), Carlos Alberto Ferreira Gomes, a instituição dobrou de tamanho nos últimos quatro anos mas os recursos destinados não foram proporcionais. Gostaríamos que isso fosse levado em conta, já que precisamos de R$ 11 milhões para manutenção e investimentos, disse.
Segundo Gomes, os recursos provenientes do governo do Estado são insuficientes para quitar a folha de pagamento e as demais despesas de custeio. O orçamento da Unicentro para o ano de 1999 prevê gastos de R$ 11,2 milhões, mas são repassados somente R$ 9,2 milhões.
A universidade tem que gerar recursos próprios para poder realizar os investimentos necessários em laboratórios, equipamentos, professores e funcionários, disse o reitor. Na Unicentro, estes recursos são conseguidos graças as atividades de pós-graduação, convênios e prestação de serviços, informou.
Gomes explicou que a universidade está em negociações com o Ministério da Educação (MEC) e o BNDES para a liberação de recursos da ordem de R$ 4,5 milhões para serem investidos nos cursos criados recentemente, como enfermagem, nutrição, engenharia de alimentos, química e biologia em Guarapuava, e engenharia florestal e educação física em Irati.
Estes cursos sofrerão sérias dificuldades no seu funcionamento se o investimento não for feito, correndo o risco inclusive de haver o atraso no cronograma, apresentar deficiência no ensino e prejudicar a formação dos alunos, alertou o reitor.
A crise que atinge o País em todos os setores faz com que a pesquisa da Unicentro seja uma das áreas mais prejudicadas dentro da instituição. Segundo o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Aldo Nelson Bona, por falta de recursos a Unicentro destina o que pode para as pesquisa, mas os investimentos são poucos.
Mesmo oferecendo carga horária paga em média de 10 horas semanais, materiais de expediente e de consumo e diárias aos professores, não conseguimos atender a demanda, informou o pró-reitor.
Com mais de 200 projetos de acadêmicos e professores em andamento nas quatro áreas - ciências humanas, letras e artes, exatas e naturais, ciências da saúde e ciências sociais aplicadas - e por ser uma universidade jovem, o pró-reitor disse entender que as atividades de pesquisa estão ligadas à pós-graduação para a capacitação dos professores. O crescimento do nível de titulação dos professores terá reflexo direto no número e na qualidade de suas pesquisas.
Para tentar solucionar o problema do investimento em pesquisa, o governo deverá estar colocando em funcionamento, nos próximos meses, a Fundação Araucária, que vai destinar até 30% do valor total referente aos 2% do ICMS, que serão destinados à ciência e tecnologia, para custeio de pesquisas. Os pesquisadores deverão enviar os seus projetos, que serão avaliados por consultores e, se forem aprovados, receberão os recursos para a manutenção da pesquisa, disse Bona.
Para discutir a sistemática de funcionamento e formas de financiamento, o presidente e conselheiro da Fundação Araucária e ex-reitor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Luiz Antônio Souza, estará em Guarapuava no próximo dia 18 e em Irati no dia 19.
Unioeste Na Universidade Estadual do Oeste (Unioeste), em Cascavel, uma dos mais recentes protestos da comunidade acadêmica contra a autonomia ocorreu no final do mês de março. O orçamento da instituição para o ano, de R$ 23 milhões, será suficiente apenas para o custeio e salários de professores e servidores, não havendo sobras para investimentos, embora seja necessária a complementação da estrutura física e de equipamentos de cursos nos cinco campus, e novos cursos estejam sendo implantados.
Por isso, estudantes, professores e servidores pediram durante o protesto um levantamento independente das necessidades financeiras da Unioeste, e que o Conselho Universitário (COU), órgão máximo da instituição, reveja os termos do acordo. Eles pediram que as medidas fossem tomadas sem a participação do reitor Erneldo Schallemberger.Arquivo FolhaNas ruasProtesto de estudantes da Universidade Estadual de Maringá (UEM) contra corte de verbasLuiz Carlos Dias Junior
Especial para a Folha





