Reitor diz que invasão na UEL é 'assunto morto'
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terça-feira, 04 de setembro de 2007
Fernanda Borges<BR>Reportagem Local 
Dois meses depois da invasão da nova Casa do Estudante, localizada no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL), por alunos da instituição, a reitoria da universidade diz que o episódio está encerrado e que não pretende investigar nem punir ninguém.
Um grupo de estudantes encapuzados permaneceu no local por 15 dias e só abandonou o imóvel na época das férias. O reitor da UEL, Wilmar Marçal, considera o assunto ''morto''. ''Os alunos já deixaram o imóvel e verificamos que não houve nenhum dano mais grave dentro do prédio. A partir de agora estamos trabalhando com o pessoal da Casa para que busquem cuidar do patrimônio público, que não admitam mais invasões e que não levem pessoas que não fazem parte da moradia'', disse.
O prédio do campus foi inaugurado em 2005 mas precisou passar por algumas readequações na área de segurança. Os alunos que moram provisoriamente na Avenida São Paulo serão transferidos para lá assim que o imóvel ficar pronto. De acordo com o reitor, o processo de licitação para contratação da empresa que deverá iniciar as obras já está em andamento e a expectativa da universidade é de que até meados de março ou abril o imóvel possa estar preparado para receber os estudantes. Com capacidade para apenas 80 moradores, a UEL ainda não sabe como vai abrigar os 118 alunos que hoje vivem no Centro.
''Nós já herdamos essa situação mas vamos fazer de tudo para que isso possa ser resolvido da melhor maneira. Quando a casa ficar pronta, faremos o novo processo para a transferência dos alunos e vamos verificar a situação dos demais tentando acomodá-los em algum lugar ou talvez ajudá-los com alguma bolsa-auxílio. Não temos interesse em prejudicar nenhum estudante, mas vamos trabalhar para acomodar bem os 80 que terão direito às vagas'', reforçou o reitor.
Aniversário - A Casa do Estudante da UEL, localizada provisoriamente num imóvel na Avenida São Paulo, lembra mais um grande hotel familiar, onde todos compartilham cômodos e corredores em harmonia e respeito mútuo. Criada em agosto de 1974 num imóvel cedido pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), a Casa do Estudante completou 33 anos na semana passada.
''Aprendi muito vivendo com os demais estudantes, observando os benefícios que a casa proporcionou a todos aqueles que realmente precisavam da moradia'', comenta o jornalista e chefe do Departamento de Comunicação da UEL, Mário Benedito Sales, que morou na Casa entre os anos de 1979 a 1983. Ele lembra que o Restaurante Universitário (RU) servia como fonte de sustentação para a Casa, que na época, não era administrada pela universidade. ''Nós trabalhávamos e a renda ajudava nas despesas da Casa. Há médicos, promotor e empresários da região que passaram pela moradia'', comenta.
Atualmente, 123 estudantes vivem na Casa. Destes, 109 passaram pelo processo de seleção sócio-econômica e 14 vivem como hóspedes, mas, por não estarem morando de forma regular, podem ter que sair a qualquer momento. A estudante do 3º ano de Direito, Maria Soares, 24 anos, é natural de São Paulo (SP). Órfã de pai e mãe, ela chegou em Londrina com a expectativa de conseguir vaga na moradia estudantil. ''Tive que esperar o processo de seleção, então morei por alguns meses num orfanato em Cambé. Me mudar pra cá me ajudou muito. Não teria condições de pagar um aluguel'', diz.
Casos semelhantes ao de Maria se repetem. Enquanto se prepara para a aula, o estudante do 3º ano de História, Joair Brazil de Campos, 33 anos, que veio de São Carlos (SP), comenta: ''Se não tivesse moradia, eu nem vinha para Londrina''.
O diretor do Serviço de Bem Estar à Comunidade (Sebec) da UEL, Oswaldo Yokota, afirma que a UEL ''faz o possível'' para manter um clima harmônico e possibilitar boas condições de vida aos estudantes. Ele ressalta que o regimento interno foi feito com a participação dos estudantes.
A solidariedade é uma das 'marcas' do local. Uma prova disso é a pequena Rafaela, de apenas 4 meses, filha da estudante do 2º ano de Ciências Sociais, Keli Cristina Pereira, 25 anos, que está morando na Casa. De acordo com o regimento interno, não é permitida a presença de crianças, mas o Sebec encaminhou a situação ao Conselho Tutelar de Londrina e continua aguardando um parecer do órgão. ''Assim que tivermos uma resposta, vamos avaliar o caso'', garantiu Yokota.
Enquanto isso, a presença de Rafaela só tem trazido alegria. ''Ela gosta de ficar em meio ao pessoal. Ela vai comigo pra UEL e não há problema nenhum. Hoje, todos da casa adoram ela, e ela sempre fica assim, sorrindo pra todo mundo'', comenta Keli.


