Reitor da UEL desiste de intermediar negociações
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quarta-feira, 09 de janeiro de 2002
Emerson Dias 
Depois de 115 dias de paralisação, o reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Pedro Gordan, anunciou que não participará mais das negociações entre grevistas e o governo do Estado. Amanhã, reitoria e o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) avaliarão a possibilidade de formar cinco turmas a partir da semana que vem.
Entre reuniões e encontros com funcionários realizados ontem, Gordan disse estar cansado de intermediar a greve e que vai se dedicar às obrigações que lhe foram passadas quando nomeado. Abandonei as negociações. Minha principal preocupação agora é com a deterioração do campus e com a situação dos alunos, afirmou o reitor, enquanto avaliava um relatório de danos na estrutura da UEL.
Gordan descartou qualquer possibilidade de contratar temporários para evitar afrontas contra os grevistas e disse que vai apelar para órgãos públicos, associações e empresas privadas. Ele citou como exemplo a situação da jardinagem e do lixo acumulado no campus. Precisamos de 50 jardineiros, mas temos apenas seis pessoas desempenhando funções gratificadas nesse setor. Vamos apelar para a prefeitura e entidades locais para garantir os reparos necessários.
O reitor anunciou ainda que está sendo finalizado o levantamento dos universitários que poderiam colar grau, mesmo durante a paralisação. A Coordenadoria de Assuntos de Ensino e Graduação (CAE), responsável pelos dados, vai repassar as informações para o Cepe amanhã, que avaliará o cumprimento das exigências básicas para a formatura (como estágio completo e a avaliação do trabalho de conclusão de curso). Inicialmente, pode ser aprovada a formatura de estudantes dos cursos de agronomia, enfermagem, odontologia, medicina e fisioterapia. Se tudo estiver em dia, creio que não haverá problemas para realizar a colação de grau, prometeu Gordan. A reunião do Cepe será às 14h30.
Enquanto o reitor abandona as negociações, grevistas e governo não apontam qualquer saída para as universidades estaduais. Em reunião realizada ontem, o Sindicato dos Professores de Londrina (Sindiprol) decidiu manter a paralisação. O mesmo pode acontecer hoje, às nove horas, na assembléia do Sindicato dos Servidores Públicos, Técnicos e Administrativos da UEL (Assuel). O governo do Estado reafirmou ontem que só vai discutir a reestruturação do Plano de Carreiras, Cargos e Salários dos servidores quando a greve, que ainda persiste em três das seis universidades, for encerrada. Além da UEL, estão em greve Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Universidade do Oeste do Paraná (Unioeste).
Na UEM, cerca de 100 servidores realizaram ontem um mutirão de limpeza em todo o campus, que tem 53 hectares.


