Reitor critica falta de política no ensino
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quinta-feira, 10 de dezembro de 1998
Dimitri do Valle 
O reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Carlos Roberto Antunes dos Santos, defendeu ontem a manutenção do ensino universitário gratuito. Santos discursou na Assembléia Legislativa e criticou o governo federal pela falta de uma política explícita para o ensino superior. Hoje é comemorado o Dia Nacional da Universidade Pública. Para registrar a data, o teatro da Reitoria, em Curitiba, vai sediar a partir das 8h15 de hoje debates sobre a responsabilidade do governo no custeio das instituições.
A universidade é a herança da sociedade brasileira, disse Santos. O reitor da UFPR voltou a pedir apoio para o Hospital das Clínicas. Ele sugeriu que a Prefeitura de Curitiba e o governo do Estado destinem uma verba fixa em seus orçamentos para o HC. O hospital tem uma dívida acumulada de R$ 3 milhões. Com esta situação, como dá para pensar na expansão do hospital?, indagou. Convênios para captação de recursos extras, segundo Santos, estão sendo uma das soluções encontradas para combater o déficit financeiro da instituição. Os cortes no orçamento da União atingiram 10% de um total de R$ 15 milhões destinados ao custeio e manutenção da universidade.
Mesmo com dificuldades de caixa, a UFPR deve iniciar 1999 criando mais 200 vagas em quatro novos cursos: Oceanografia, em Pontal do Sul, Engenharia da Produção, Secretariado Bilíngue e Relações Internacionais. Os moldes do atual vestibular para o ano 2000 também devem sofrer mudanças. De acordo com Santos, a avaliação seria feita, como já propôs o ministro da Educação, através do acompanhamento histórico do currículo escolar do candidato nas três séries do segundo grau. É menos traumatizante na hora de o estudante entrar na universidade, diz o reitor.
Para Carlos Roberto Antunes dos Santos, apesar da reduzida dotação orçamentária, a universidade pública continua sendo a responsável por 90% da pesquisa feita no País. O reitor alertou também que a universidade carece de apoio e da compreensão da sociedade brasileira. Santos disse que o mundo globalizado que está sob hegemonia do capital especulativo não pode comprometer o acompanhamento dos avanços tecnológicos que a universidade precisa para continuar seu trabalho.
A universidade está em crise, mas ela deve ser competente para buscar soluções que possam combater esta situação, enfatizou Santos. O reitor defendeu que a universidade continue sendo um local para debates e questionamentos sobre os rumos que o Brasil está tomando. A formação universitária não deve estar voltada apenas para a vida profissional, mas para os setores intelectuais, observou. Santos reforçou que a UFPR tem formado as principais lideranças do Estado e que a instituição deve continuar o compromisso de ser a vanguarda intelectual do Paraná.


