Depois de alguns dias preparando sua estratégia, o reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Pedro Gordan, anunciou ontem à tarde que irá convocar uma reunião, a portas fechadas, do Conselho Universitário - órgão máximo da instituição - para o dia 19 deste mês. Na pauta, duas questões: discussões sobre os processos abertos pelas comissões de investigação e a legitimação dos atos executivos assinados pelo reitor para atender a ordens judiciais.
A data da reunião, ao que tudo indica, também faz parte da estratégia. A convocação do conselho foi agendada justamente para o mesmo dia em que o governo do Estado pretende encaminhar o projeto de lei na Assembléia Legislativa definindo um percentual do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que será repassado às universidades estaduais, como forma de garantir maior autonomia às instituições. Para esse dia está previsto um protesto dos grevistas, em Curitiba.
A convocação do conselho vinha sendo cobrada pelos grevistas desde que o reitor assinou os atos executivos, em 24 de janeiro, determinando que os servidores voltassem ao trabalho e que as atividades acadêmicas fossem reiniciadas. Gordan alega que assinou os atos para cumprir ordens judiciais. Os grevistas apontavam que o reitor não poderia ter baixado os atos, sem antes consultar os conselheiros.
Confiante, Gordan afirmou que ‘‘não acredita, de jeito nenhum,’’ que o Conselho Universitário irá revogar seus atos. ‘‘Não vejo como o conselho tomar uma decisão desfavorável. A tendência é acatar a ordem judicial.’’
Gordan justificou que a reunião não será aberta porque irá discutir a situação de servidores que ainda não foram julgados culpados pelas comissões de investigação que apuram irregularidades que teriam sido cometidas durante a administração do ex-reitor Jackson Proença Testa. Quatro das nove comissões já encerram os trabalhos.
Além desses dois assuntos espinhosos, Gordan também tratou de antecipar que as informações solicitadas pela Justiça Federal, na última sexta-feira, devem ser entregues ainda esta semana. A Justiça quer saber se as liminares que determinam providências da reitoria para retomar as atividades na instituição estão sendo respeitadas.
Gordan criticou ainda o protesto feito pelos servidores em greve na semana passada, que compararam sua administração ao nazismo de Hitler, usando inclusive a suástica, o símbolo maior desse regime. ‘‘Isso foi extramente doloroso... fui uma pessoa que sempre defendeu os direitos humanos’’, reclamou. Mesmo assim, ele adiantou que não irá coibir novos protestos. Ele chegou até a cobrar um apoio maior da comunidade, porque ‘‘um reitor não pode ser ofendido daquela maneira’’.
A greve nas universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM) e Unioeste (Cascavel) completa hoje 151 dias.

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