Milton DóriaRecompensaO reitor Jackson Testa: ‘Esse grupo perdeu a prefeitura e está querendo conquistar a Universidade’ O reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jackson Proença Testa, denunciou ontem que existe uma ‘‘articulação’’ de setores ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e ao Partido dos Trabalhadores (PT) com objetivo de ‘‘conquistar o poder na UEL’’. Segundo ele, o grupo estaria fazendo denúncias infundadas, sobretudo a respeito do plebiscito realizado ontem (leia matéria nesta página) para decidir se haverá ou não reeleição na Universidade.
Algumas entidades criticaram a maneira como o processo foi realizado, sobretudo em função do tempo: o plebiscito foi proposto e aprovado pelo Conselho Universitário (CU) na segunda-feira para ser realizado três dias depois.
‘‘Lamentamos e denunciamos essa articulação. Esse grupo perdeu a prefeitura e agora está querendo conquistar a Universidade’’, disse o reitor. Jackson Testa resolveu sair da defensiva principalmente depois que foi ao ar, na última quarta-feira, o programa ‘‘Opinião de Cheida’’, na rede CNT. No programa, o ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida (PT) criticou a falta de tempo para debater melhor a tese da reeleição com a comunidade acadêmica. Além disso, afirmou que teria começado no campus da UEL uma ‘‘estranha campanha eleitoral’’, inclusive com propostas pregadas em portas de salas de aula, condicionando as mesmas propostas à reeleição. O ex-prefeito disse acreditar que o processo que permitiu a realização do plebiscito se transformou em um ‘‘balcão de negócios’’.
‘‘Isso não existe. Estamos entrando na Justiça com uma ação por calúnia e difamação contra o ex-prefeito Cheida. Ele devia era explicar melhor seus atos executivos ao invés de se intrometer na Universidade’’, acusa o reitor. Ele se referiu às investigações do promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galati, sobre a administração do ex-prefeito. O reitor ainda questiona o fato de Cheida hoje estar ‘‘desempregado’’ e, ao mesmo tempo, pagando horário na televisão para fazer ‘‘programa político’’. ‘‘As articulações na Universidade são muito fortes, porque aqui tem um braço do PT, não de todo o partido, mas de um grupo que entrou na UEL. Esse grupo quer dominar a classe intelectual e também os estudantes.’’
Outra acusação feita pelo reitor é que Cheida teria se negado a ajudar a UEL a construir o Restaurante Universitário (RU). Ele lembra que na época fez questão de procurar primeiro a Prefeitura de Londrina, já que se tratava de uma obra importante e requisitada há muitos anos pela comunidade acadêmica, para viabilizar a obra. Mas essa ajuda, segundo ele, foi negada por Cheida. ‘‘Depois de receber o ‘não’ da Prefeitura, fomos viabilizar os recursos em nível estadual’’, afirma o reitor.
Segundo Testa, as ‘‘articulações’’ para tomar o poder na UEL ainda envolvem ex-secretários e membros do governo Cheida que, depois que perderam as últimas eleições municipais, voltaram à Universidade. Entre eles, aponta o reitor, estão Márcia Lopes, ex-secretária de Ação Social, e a ex-vereadora e então líder do prefeito na Câmara, Lígia Puppato. O reitor também não poupou Marta Cheida, ex-primeira-dama e ex-presidente do Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar), a quem reservou uma denúncia especial: ‘‘Ela foi a única primeira-dama de Londrina que recebeu para trabalhar.’’
O reitor afirma que, no primeiro ano do governo Cheida, a Prefeitura propôs uma ‘‘permuta’’ com a UEL: como Marta era funcionária da Universidade, ela continuaria recebendo salário da UEL, mas seria cedida à administração municipal. Em troca, a Prefeitura pagaria o salário de outra professora para ficar no lugar dela na Universidade. Isso ocorreu legalmente entre março e dezembro de 1993. Nos anos seguintes, no entanto, não houve mais a permuta e a Prefeitura teria que ressarcir a Universidade do salário da primeira-dama. ‘‘Mas não houve esse ressarcimento e a Marta ficou recebendo sem trabalhar’’, acusa Testa.
O reitor afirmou que só foi comunicado da situação envolvendo Marta Cheida esta semana, depois que a ex-primeira-dama teria acusado a realização do plebiscito, da maneira como foi aprovado pelo Conselho Universitário, de ‘‘casuísmo’’. ‘‘Vamos pedir ainda hoje à Prefeitura o ressarcimento dos quatro anos que ela recebeu de salário’’, diz Testa, sem precisar o valor. Segundo ele, se a Prefeitura se negar a pagar, a Universidade deve prosseguir em processo administrativo para apurar o caso.

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