O reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jackson Proença Testa, anunciou ontem, em entrevista coletiva, as medidas iniciais de adequação de gastos da entidade, dentro do Termo de Autonomia assinado pelas cinco universidades e 11 faculdades estaduais com o governo do Estado, no dia 18. As medidas prevêem um corte de despesas no valor de cerca de R$ 400 mil por mês que serão direcionados para a contratação de 45 novos professores.
Testa explica que os cortes equivalem a 5% da folha de pagamentos que, hoje, está na ordem de R$ 8 milhões mensais. ‘‘O Termo de Autonomia prevê que as instituições receberão apenas o valor mensal proporcional correspondente à folha de pagamento, além do pagamento das contas de água e energia elétrica. As verbas de custeio - que hoje na UEL está na ordem de R$ 6 milhões anuais - deverão ser bancadas pelas próprias instituições’’, diz.
Segundo ele, a UEL teve que fazer corte de alguns ‘privilégios’ para diminuir a folha de pagamento e, com isto, poder contratar os novos professores. ‘‘Nós solicitamos contratações ao Crafe (Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal do Estado) desde o ano passado e não fomos atendidos. Tínhamos 164 turmas de alunos sem professores e nossa prioridade era restabelecer a atividade acadêmica para estes alunos. A contratação foi nosso primeiro grande exercício da autonomia’’, afirma.
Jackson Proença Testa afirma que, na adequação, não houve corte nem de pessoal nem de salários. Segundo ele, o Conselho de Administração optou por cortar privilégios como férias de 45 dias, bonificações, adicionais e horas extras, entre outros. ‘‘As medidas podem promover, à primeira vista, um certo descontentamento. Mas precisavam ser tomadas. Temos vários casos que ilustram bem isto: um servidor, por exemplo, com salário de R$ 2 mil, vinha recebendo quase o dobro graças a vários adicionais’’, exemplifica.
Para o reitor, dentro da atual realidade brasileira - com alto índice de desemprego - , a Universidade está mais uma vez sendo pioneira. ‘‘Como um órgão público, temos que dar o exemplo de moralização. A universidade é pública e está sendo mantida pelo mesmo cidadão que hoje está desempregado’’, diz.
As verbas de custeio, segundo o reitor, deverão ser arrecadadas com prestação de serviços para a comunidade. Para isto foi criada a Fundação de Apoio à Universidade Estadual de Londrina (Fauel). ‘‘A fundação vai buscar novas fontes de recursos e estabelecer novas parcerias. Hoje já contamos com algumas fontes de receitas como o laboratório de produção de medicamentos, Hospital Veterinário, o próprio Hospital Universitário, Centro Odontológico e a área de pós-graduação. Aliás, já foram criados dois novos cursos de doutorado, nas áreas de Agronomia e Física. A UEL tem condições de passar por estas reformas sem que isto promova qualquer tipo de ônus para o estudante. Este é nosso maior comprometimento’’, afirma.
Segundo Testa, toda a universidade deve passar por uma reestruturação administrativa para enfrentar a nova realidade com a autonomia. ‘‘A estrutura administrativa e acadêmica que temos hoje é pesada, extremamente burocrática e defasada. Precisamos buscar eficiência, agilidade e competência’’, diz. O reitor diz que os termos da reforma devem ser apresentados dentro de 100 dias.Josoé de CarvalhoColetivaTesta: ‘‘A universidade é pública e está sendo mantida pelo mesmo cidadão que hoje está desempregado’’Telma Elorza

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