Reis do desmanche fazem teste da mentira
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de julho de 2000
Luciana Pombo De Curitiba 
O delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, autorizou a utilização do detector de mentiras em doze suspeitos citados em inquéritos policiais em Rio Branco do Sul, Região Metropolitana de Curitiba. Entre eles estão o prefeito da cidade, João Dirceu Nazzari, e os empresários Paulo Mandelli e Joarez França Costa, o Caboclinho, acusados de comandarem uma rede de desmanches de carro no Paraná.
De origem israelense, o equipamento, conhecido como truster, será operado pelo perito criminal Daniel Felipeto, do Instituto de Criminalística de Londrina. As pessoas que serão submetidas ao detector são investigadas em inquéritos que apuram as reponsabilidades pelos 167 motores e 22 blocos automotivos encontrados enterrados em uma área de 10 mil metros usada pela Brascal empresa de cal de Rio Branco do Sul.
A solicitação foi feita no último dia 17 pelo delegado Sebastião Gaspar, responsável pelo inquérito, com a argumentação de que a metodologia seria indispensável para descobrir a origem e propriedade dos motores. Temos evidências de que os motores pertenciam a Mandelli ou Caboclinho, já que os motores foram enterrados após o fechamento das lojas dos empresários em Curitiba, declarou o delegado.
O detector de mentiras mede o estresse do depoente através da variação da voz. Com a variação, você consegue detectar se a pessoa está falando a verdade, se está mentindo, se está sendo irônica ou se tenta manipular o sistema, garantiu o perito criminal Daniel Felipeto. De acordo com ele, foram feitos mais de cem testes com o equipamento antes de utilizá-lo para a resolução de inquéritos policiais. A margem de desvio de padrão (ou seja, de erro) é de 20%. O software pode ser ludibriado por pessoas muito auto-confiante. Mas as pessoas mais simples nunca conseguem enganar o sistema, alertou ele.
Os depoimentos com o uso do detector de mentiras não foram marcadas ainda. Eles deverão ser feitas num prazo de 20 dias. Além de Mandelli, Caboclinho e Nazzari, serão ouvidos Bento Chimelli (ex-prefeito de Rio Branco do Sul e dono da área usada pela Brascal; Noemi Judite Nazzari e Sidnei Carlos Adami (diretores da Brascal); José Gentil de Souza, Simião Juvinski, João Ribas, Gabriel Vadir Fiorese e João Portes de Farias (operadores de máquina); e Antonio Luiz da Silva (conhecido como Zóio e acusado de ser o braço direito do Caboclinho). Com o detector tenho certeza que tiro algo mais concreto dos operadores de máquina. Acho que através deles chegaremos à verdade, salientou Sebastião Gaspar.


