Reintegração vai contar com apoio da PM
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sexta-feira, 03 de fevereiro de 2006
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Emcarregado da reintegração de posse de um terreno particular no Conjunto Vivi Xavier (Zona Norte de Londrina), o oficial de Justiça Sebastião Moreira entregou ontem ao comando do 5º Batalhão de Polícia Militar (5º BPM) um pedido de reforço policial para o cumprimento da medida. A decisão, expedida pela 4 Vara Cível, estabeleceu um clima de tensão entre as 80 famílias assentadas no terreno há mais de 20 dias. Os moradores garantem, porém, que a desocupação será pacífica, no caso da presença da Polícia. O batalhão aguarda agora um posicionamento da Secretaria de Estado de Segurança Pública para disponibilizar o efetivo.
Por duas vezes Moreira já havia tentado cumprir da decisão, na tarde de anteontem. As famílias se recusaram a desocupar a área, que foi dividida em lotes e já mostra os primeiros sinais de urbanização, com ruas precárias abertas por um trator alugado e loteamentos divididos em pedaços de 150 metros quadrados. Os moradores, em grande parte inadimplentes do sistema habitacional e desempregados, exigem a negociação do terreno com ajuda da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Lda).
De acordo com o oficial de justiça, a reintegração foi pedida pelos donos do terreno. O pedido de reforço foi encaminhado ontem ao comando do batalhão e depende da conclusão de estudos realizados pela própria polícia, além do aval da Secretaria de Segurança. ''Precisamos saber quantas pessoas estão morando no local: homens, mulheres e crianças. Com isso vamos determinar qual o efetivo e quais os meios necessários para fazer a desocupação sem que haja conflito'', explicou o Major Sérgio Dalben, do comando de operações da PM.
Os estudos devem ser concluídos em três dias e encaminhados para o secretário de segurança, Luiz Fernando Delazari. Ainda de acordo com o major, a autorização para reforço pode levar meses. ''Só depois disso comunicamos o oficial de justiça e marcamos a data para a ação'', disse Dalben.
Cientes da decisão judicial, os acampados afirmam viver em tensão constante. A dona de casa Simone Ferreira, mãe de três filhos, sofre com disfunções neurológicas e teme a presença de policiais na região. ''Nem posso ver que fico tremendo'', disse. Os vizinhos também reclamam do clima hostil vivido pelo bairro. ''Temos medo de deixar nossos filhos na rua. E se de repente a Polícia chega a acontece alguma coisa?'', reclamou a também dona de casa Mirian Cristina.
O presidente da associação de moradores da invasão, Ailton Natalino da Silva Souza, garantiu que se a PM participar da desocupação, os acampados não vão resistir. ''Estamos passando esta orientação para todos. Vamos esperar pelo desmonte das barracas pacificamente. Mas vamos voltar'', disse. À espera de um andamento nas negociações para a compra do terreno por parte da Cohab, Souza também disse que a associação já está a procura de um advogado para tentar reverter a desocupação.
O presidente da Cohab, Carlos Eduardo Afonseca, já manifestou resistência em ceder às pressões do acampamento. Segundo ele, a companhia vai respeitar a fila de espera de 14 mil inscritos para a aquisição de casas populares. Afonseca também disse que a companhia pode apoiar a negociação do terreno diretamente com a loteadora dona da área, facilitando a aprovação de um projeto.


