Reintegração no Jardim Santa Mônica
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Vítor Ogawa <br>Reportagem Local
Os moradores do assentamento do Jardim Santa Mônica (zona norte de Londrina) estão apreensivos com a proximidade da data final para que desocupem os imóveis no fundo de vale da Rua Angelo Vicentin. A reintegração de posse concedida pelo Poder Judiciário do Estado tinha como prazo limite o dia 28 de outubro. No entanto, houve resistência de alguns moradores e uma nova data foi acordada: 5 de janeiro de 2016. Com a proximidade da nova data, o Centro de Direitos Humanos conseguiu que o prazo fosse prorrogado para o dia 15 de fevereiro. Os moradores alegam que não podem deixar suas casas porque não têm para onde ir.
A vendedora Cristiane da Silva Geraldo, de 31 anos, mora no local há 22 anos. "Algumas pessoas conseguiram casa no Vista Bela, mas não conseguiram para o restante que morava aqui. Este ano chegaram com uma ordem de despejo em agosto. Eu não tenho condições de alugar uma casa. As famílias que moram aqui precisam realmente. Conseguimos ampliar o prazo até 15 de fevereiro, mas falaram que depois dessa data vão demolir tudo", afirmou. "Vão retirar todo mundo e vão colocar todo mundo na rua. Tem senhoras em cadeiras de rodas, mulheres grávidas e aqui está cheio de crianças. Tenho quatro filhos e fiz uma cirurgia recentemente", apontou. "Moramos aqui em 30 famílias que não dão problema. As crianças frequentam uma escola no Jardim Paraíso, e se saírem daqui vão para onde? As crianças ficarão sem escola e vão morar na rua. Eu estou com inscrição na Cohab-Ld (Companhia de Habitação de Londrina) há anos e não recebi casa."
Outro que reclama que se inscreveu na Cohab e também não foi contemplado é o pintor de carro Wilson Marcelino de Paula, que afirma ter feito a inscrição há 16 anos. "Minha mãe usa cadeira de rodas e meu pai é acamado. O trator simplesmente arrebentou os encanamentos de água e arrancou o relógio de luz quando foi demolir os outros barracos que existiam aqui. Aqui estava até bonitinho, mas arrebentaram tudo", afirmou. "Não se faz isso com ninguém", disse indignado.
O presidente da Cohab-Ld, José Roberto Hoffman, informou que em 2002 foi realizado o cancelamento de todos os cadastros antigos e que, se as pessoas tivessem realmente interesse em conseguir uma casa, deveriam manter o cadastro na Cohab atualizado. Ele ressaltou que antiguidade do cadastro não é condição para que as pessoas consigam a casa ou não. "Precisa ver o que aconteceu para que eles não tenham recebido a casa. Tem tanta gente que recebeu casa e depois voltou para invasão", afirmou.
Segundo o Programa de Desenvolvimento Urbano Sustentável de Londrina, da prefeitura, originalmente a área era um pasto da família Vicentini, que deixou aos cuidados de um morador, que comercializava o sebo que era descartado pelo frigorífico vizinho. Ele teria dividido a área com outros dois homens, que lotearam e comercializaram ilegalmente os lotes no início da década de 1990.
Em 1997, os moradores foram até a prefeitura e solicitaram o abastecimento de água e o fornecimento de energia elétrica, que lhes foram concedidos. Segundo levantamento realizado pela Cohab, em 21 de março de 2012, a população era de 27 famílias. Além disso, 73 famílias haviam sido atendidas com habitações no Residencial Vista Bela, pelo Programa Minha Casa Minha Vida, em 2011 e 2012.