Reintegração mobiliza PM e Justiça
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quinta-feira, 14 de setembro de 2000
Alexandre Sanches De Londrina 
Oficiais de Justiça de Londrina iniciaram ontem a reintegração de posse da Fazenda Santa Helena, de 616,85 alqueires, no Patrimônio Regina (zona sul). O pedido foi em nome de Elza Aparecida Santos Godoy e Maria Helena Santos Godoy Tenório, filhas legítimas do pioneiro Olavo Godoy, falecido em 22 de dezembro de 1997. Antes mesmo de sua morte, a fazenda próxima ao Parque Estadual Mata dos Godoys vinha sendo administrada pela sobrinha Josyê Baxhix Godoy, que recebeu a propriedade como doação.
O cumprimento da reintegração de posse foi determinado pelo juiz da 3ª Vara Cível de Londrina, José Vitor Silva. Apesar dos oficiais de Justiça Jaqueline Cazonato Lima e Osvair Bisse; dos advogados das irmãs Godoy, Adenilson Cruz, de Umuarama, e Roosevelt Maurício Pereira, de Maringá; e do pessoal contratado para a mudança chegarem na parte da manhã à fazenda, a ação só foi iniciada após as 15 horas, com a presença de 15 homens da Rone e do Grupo de Operações Especiais da Polícia Militar. Foram necessários dois caminhões de mudança para o transporte dos bens de Josyê.
O advogado Adenilson Cruz informou que Elza e Maria Helena conseguiram na Justiça o reconhecimento como filhas legítimas de Olavo Godoy. A briga na Justiça começou em 1992, quando elas descobriram através da mãe, ex-empregada da fazenda, que o pai biológico delas era Olavo e não o homem que constava no registro de nascimento.
Godoy, em vida, não reconheceu a paternidade, que foi confirmada por exames de DNA, feitos em Miami, 60 dias após o seu falecimento. Conseguimos que o juiz cancelasse o ato jurídico da doação da fazenda para Josyê, dando tutela antecipada para Maria Helena, que é a inventariante e deverá administrar os bens do espólio, informou o advogado. A doação foi anulada com base na incapacidade de Olavo Godoy, constatada juridicamente antes deste ato.
A Justiça só deu o reconhecimento da paternidade no final do ano passado. Tentamos, ainda em 1992, entrar com uma ação de reconhecimento, mas com base no Código Civil, quem tem o nome do pai no resgistro de nascimento não pode reivindicar este direito, informou Cruz. Paralelo ao pedido de paternidade, foi requerida também a anulação do registro do pai que as criou, com base nos exames de DNA. Em 1995, o processo tramitou em julgado. A partir daí, a batalha judicial foi para conseguir fazer os exames de DNA de Olavo Godoy.
Estavam ontem de manhã na sede da fazenda somente um irmão de Josyê, alguns funcionários e o atual marido de Josyê (ela era casada com um sobrinho de Godoy. Segundo os advogados, contra ela correm dois mandados de prisão, que poderiam ser cumpridos com a presença dos oficiais de Justiça e da Polícia Militar.
A morte do pioneiro Olavo Godoy é cercada de mistério. Ele teria morrido em consequência de uma queda da cama, que causou traumatismo craniano. Nesta época, Josyê já respondia por outros dois inquéritos policiais em que ela foi indiciada sob acusação de maltratar Olavo Godoy, além de constrangimento ilegal e omissão de socorro aos empregados da Fazenda Santa Helena.
Até as 20 horas de ontem os pertences de Josyê não haviam sido retirados da fazenda. Os advogados das herdeiras acreditam que a ação deva prosseguir ainda hoje.
O advogado Carlos Lunardelli, nomeado para defender Josyê Godoy, informou ontem à noite que ainda não havia tomado conhecimento do processo contra sua cliente e, portanto, não poderia se pronunciar a respeito. Ele prometeu conceder entrevista sobre o assunto hoje.


