No Paraná, 20% dos presos reincidem no crime depois de cumprir pena. O índice aumentou cinco pontos percentuais entre 1996 e 1997, colocando em dúvida a eficácia do sistema na recuperação dos presos. Mas o diretor do Departamento Penitenciário (Depen), Cezinando Paredes (foto), considera que a variação ainda não é preocupante, pois o índice de reincidência no crime já chegou a 18% no Paraná e tem sido um dos menores na comparação com outros Estados. Segundo ele, a assistência psicológica e as frentes de trabalho têm sido tentativas de aumentar o índice de recuperação dos detentos.
O sistema penitenciário do Paraná tem três vezes mais presos do que sua capacidade, totalizando 4.500 internos. Cerca de 1.500 condenados cumprem pena nas cadeias públicas por falta de espaço nos presídios. Por manter as nove unidades penitenciárias sob controle e sem rebeliões, o sistema penitenciário do Paraná é considerado um dos melhores do País, segundo o diretor do Depen. Mas ele admite que as penitenciárias ainda estão distantes do padrão ideal.
‘‘Numa cela superlotada e sem tratamento psicológico não são necessários 30 anos para ficar louco’’, diz Paredes. O diretor do Depen considera que o acompanhamento depois do cumprimento da pena também é fundamental. É o que vem acontecendo em 19 unidades do programa Pró-Egresso, que, em convênio com prefeituras e universidades, presta assistência psicológica, jurídica e social aos presos no interior do Paraná. Os 1.300 agentes penitenciários também têm passado por treinamentos e reciclagens.
O diretor do Depen considera que cada penitenciária não deveria ter mais de 500 presos, pois assim o tratamento seria mais humanizado. A Penitenciária Central do Estado tem 1,5 mil presos. As penas alternativas seriam, segundo ele, uma forma de diminuir a superlotação, mas ainda são pouco aplicadas. ‘‘A maioria das unidades penitenciárias do País não consegue cumprir a lei’’, conclui. (M.K.)

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