Regularização encontra resistência
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quinta-feira, 23 de abril de 1998
Lucinéia Parra 
Marcos NegriniMulher compra leite de produtor; preço atrai consumidoresCriada há mais de um ano, a Associação dos Produtores de Leite de Maringá enfrenta dificuldades para obter apoio dos próprios produtores no principal projeto da entidade, que é a construção da usina para pasteurização e empacotamento de leite. A usina é a razão principal da existência da associação. Mesmo assim, menos de 30% dos pequenos produtores de leite do município apostam na sua criação.
O restante dos pequenos produtores sequer faz parte da associação e acredita que a fiscalização dos agentes sanitários continuará incapaz de autuar e multar os comerciantes do leite cru. De acordo com o presidente da associação, Laerte José dos Santos, os 32 pequenos produtores que são associados estão se mobilizando para a instalação da usina, mas a principal dificuldade é financeira.
Desde fevereiro do ano passado, quando foi aprovado o estatuto da associação, os produtores conseguiram, através de promoções, comprar o equipamento completo para a pasteurização e empacotamento do leite. O custo foi de R$ 25 mil porque os associados preferiram adquirir um equipamento usado, com apenas um ano de uso. O terreno de 1.277 metros quadrados para a construção da usina também foi subsidiado pela prefeitura, mas agora os produtores precisam de recursos para a construção.
Marcos NegriniMaioria dos pequenos produtores comercializa leite sem tratamento
Vamos precisar de aproximadamente R$ 20 mil para cumprirmos todas as exigências da Vigilância Sanitária, explica Silva. A associação não conseguiu financiamento do Pronaf e por isso está mobilizando todos os produtores para novas promoções.
Segundo Silva, o fator que mais contribui para a demora da instalação da usina é o pouco caso da maioria dos produtores. Muitos afirmam que não têm dinheiro para ajudar na compra dos materiais, mas a verdade é que estão apostando na falta de fiscalização dos agentes sanitários mesmo depois da usina entrar em funcionamento, prevê. Além disso, segundo ele, alguns produtores acreditam que o custo a mais de R$ 0,08 por litro de leite, a partir da pasteurização e empacotamento, vai implicar em prejuízo.
A criação da usina faz parte de um projeto do vereador Basílio Bacarin (PSDB) para acabar com a venda clandestina de leite cru em Maringá. A estimativa é que a comercialização deste tipo de leite na cidade chegue a 12 mil litros por dia. Apesar de ter apenas 32 produtores associados, Maringá conta hoje com aproximadamente 120 pequenos produtores de leite.


