A Copel começou ontem a orientar os líderes comunitários e presidentes de associações de bairros de Londrina sobre a regularização do fornecimento de energia elétrica nos locais que têm ligações clandestinas, os ‘‘gatos’’. Cerca de 50 pessoas, representando nove assentamentos e ocupações, participaram de uma reunião ontem à tarde, na Copel, para discutir as normas da regularização que deve atingir mil famílias, beneficiadas com a tarifa social, uma taxa mais barata.
A solução provisória encontrada pela companhia para acabar com os ‘‘gatos’’ é instalar medidores coletivos em terrenos que ainda não foram regularizados pela Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld). A fatura será única e os moradores terão que ratear o valor.
A maior preocupação dos líderes e presidentes de associações é o pagamento das faturas. Eles temem que parte dos moradores deixe de pagar a conta de energia e que, por ser coletiva, a Copel interrompa o fornecimento. A empresa informou que em caso de inadimplência haverá corte e que todos serão prejudicados.
‘‘Os moradores terão que se disciplinar e se organizar, senão não funciona. Todos terão que colaborar para que ninguém seja prejudicado. É preciso que os moradores estejam conscientizados sobre o uso correto da energia. Mas se eles não pagarem, a Copel vai até o local e desliga a energia’’, disse o gerente da Copel na Área de Operação e Manutenção da Região Norte, Oscar Ávila Durães.
O presidente da Associação dos Moradores do Jardim União da Vitória, João Batista Ávila, não concorda com a instalação de relógios coletivos. Ele prevê que muitos moradores mal-intencionados não vão pagar a conta de energia. ‘‘Com certeza isso vai acontecer e teremos muito problemas pela frente. A solução é a prefeitura regularizar esses terrenos. Vamos nos reunir com o pessoal, mas também podemos dispensar essa regularização que a Copel está propondo e manter os gatos’’, afirmou. No União da Vitória cerca de 400 famílias têm ligações clandestinas. A Copel informou que não vai mais admitir os ‘‘gatos’’.
Durante a reunião com os representantes dos moradores a companhia alertou os usuários sobre o consumo, valores, rateio, instalações e normas de funcionamento do projeto. O gerente da companhia também ressaltou que os moradores terão que utilizar apenas eletrodomésticos básicos e fundamentais para que o rateio da tarifa seja justo.
A partir de amanhã a Copel começa a se reunir com moradores nos assentamentos e ocupações. Os ‘‘gatos’’ só devem ser extintos no momento da regularização da energia elétrica para que os moradores não fiquem sem fornecimento. O Assentamento Monte Cristo, na zona leste da cidade, concentra o maior número de ligações clandestinas, já que moram no local cerca de 600 famílias. Na ocupação, nos últimos meses, tem sido comum acontecerem pequenos incêndios provocados pelas ligações clandestinas.

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