Regional deposita carga de remédios em aterro sanitário
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de janeiro de 1997
Leonardo Revesso Especial para a Folha 
UMUARAMA - Uma farta quantidade de medicamentos usados nos tratamentos de hanseníase, problemas urinários, tuberculose e vacina contra hepatite B foi encontrada ontem no aterro sanitário de Umuarama. Os remédios dariam para lotar duas Kombis, que geralmente fazem o transporte de pacientes na região, e estavam prontos para serem destruídos. A 12ª Regional de Saúde - órgão da Secretaria Estadual de Saúde na região - assumiu a responsabilidade pelo material.
São milhares de caixas do remédio multivacilar, usado no tratamento da hanseníase, e de comprimidos como o ácido nalidíxico (infecção urinária) e rifanpiscina (tuberculose), além de dezenas de caixas de agulhas descartáveis e vacinas contra hepatite B.
Os medicamentos ocupavam todo o fundo de uma vala de quatro metros de profundidade por três de diâmetro. Segundo o chefe do Almoxarifado da Regional de Saúde, Goldemir Renato Lammel, todos os remédios estão com o prazo de validade vencido.
Alguns, como o ácido nalidixico, estão sem eficácia desde julho. O problema é que a Secretaria de Saúde nos manda os medicamentos às vésperas de serem inutilizados, disse Lammel.Chega uma remessa em janeiro com o prazo de validade até julho. Segundo Lammel, no ano passado foram solicitados mil comprimidos para combater infecção urinária, mas a secretaria acabou enviando nada menos do que 36 mil. Não sabia onde usar tantos comprimidos, argumentou.
Sobras Lammel disse que esta não é a primeira vez que a Regional de Saúde faz a destruição de medicamentos fora do prazo de validade. Repetimos este procedimento todos os anos quando há sobras nos 19 municípios de nossa abrangência, afirmou. Lammel não quis informar a quantidade de medicamentos depositados no aterro sanitário anteontem à tarde. O material foi descoberto porque não tinha uma máquina no local para tapar o buraco, o que é uma falha da prefeitura, revelou.
Para o chefe da Regional de Saúde em Umuarama, médico Arno Prante, o problema deve ser solucionado nos próprios municípios que fazem devoluções de medicamentos ao órgão. O ideal seria trabalharmos com a idéia de remanejamento. Um município que não precisaria do medicamento mandaria para o outro, propõe. Ele disse que a Regional não pode aceitar o uso de remédios vencidos. A saída que temos é destruir.
Já o farmacêutico do Consórcio Intermunicipal de Saúde (Cisa), Juliano Trevisan, diz ter devolvido 22 mil comprimidos à Regional no final de dezembro porque eles não tinham sido utilizados nos municípios e estavam com prazo de validade vencido. Ele afirma também que os medicamentos depositados no aterro têm grande procura e alguns, como o Multivacilar (hanseníase), custam caro - R$ 29,00 a caixa.
Lixão A prefeitura de Umuarama está tentando encontrar uma saída para a situação do aterro sanitário da cidade. O lixo depositado de forma irregular, a céu aberto, está exalando mau cheiro, incomodando os motoristas que passam pela PR-480 e desobedecendo a lei ambiental. Faltam máquinas para encher as valas e fazer a compactação. O secretário de Serviços Públicos, Wilson Simões, promete uma solução em no máximo uma semana.


