Reginaldo: Aprendi com meu próprio erro
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sábado, 31 de maio de 1997
Da Redação 
Josoé de CarvalhoGosto pelo trabalhoO locutor Reginaldo Silva Antunes, condenado por agredir a namorada em 1995, prestou serviço por dois meses na Casa do Caminho, entidade que atende menores carentes. Gostou tanto que agora quer trabalhar como voluntário no mesmo local: Pude conhecer e ajudar pessoas. Fiz o trabalho por
dever e por amor também. Já avisei lá que, se eles precisarem de mim, eu continuo colaborandoSua pena foi
trabalhar com crianças. E ele se deu bemPassei a acreditar na Justiça. De verdade. Pude conhecer e ajudar pessoas. Foi muito bom porque aprendi com meu próprio erro e isso traz uma experiência para não repetir. Mas é melhor que não aconteça para aprender porque pode resultar em medidas amargas. Reginaldo Silva Antunes concluiu na semana passada a pena de dois meses a que foi condenado por ter agredido a namorada em 95. Antunes conta que durante a discussão ele acabou dando dois tapas e um chacoalhão na namorada.
Depois de prestar serviços no Hospital Veterinário, onde não se adaptou, a experiência na Casa do Caminho parece ter sido muito boa para Antunes. Fiz por dever e por amor também. Já avisei lá: se eles precisarem de mim eu continuo colaborando, garante. Antunes afirma que havia prestado serviços voluntariamente em outra entidade local por três meses, num período do ano passado em que esteve desempregado.
O coordenador da Casa do Caminho, José Luiz Gomes, confirmou a disposição de Antunes em continuar colaborando. E pelos laços criados entre a entidade e o ex-condenado, não vai demorar muito para ele voltar voluntariamente. O entrosamento dele com as crianças foi ótimo e ele estava sempre disposto para qualquer tipo de trabalho. Esta é a primeira vez que vou sentir saudades de um prestador de serviço, admite Gomes.
A Casa do Caminho recebe condenados a penas alternativas há quatro anos. Gomes não sabe ao certo quantos já passaram por lá, mas se lembra que apenas um apresentou problemas e teve que ser encaminhado de volta ao Pró-Egresso. Segundo Gomes, era um homem rico e que não estava disposto a cumprir a pena. A entidade que tem medo de participar do programa não conhece o trabalho. A proposta do Pró-Egresso é boa. A prestação de serviços ajuda o condenado que passa a conhecer uma realidade diferente da sua e a instituição, opina Gomes.
A experiência no Hospital Veterinário de Londrina também tem sido positiva com as penas alternativas. O HV entrou no programa há quase um ano e quatro condenados já passaram por lá, dois dos quais ainda continuam. A encarregada da secretaria do HV, Márcia Regina Godoy, é quem passa as tarefas aos condenados - atualmente são dois. Segundo ela, Lourival Cordeiro, assim como os demais prestadores de serviço, tem ajudado no funcionamento do hospital. Eles ajudam mesmo, ressalta. O aprendizado de dois dos condenados que passaram por lá os tornou profissionais. Márcia afirma que um deles aprendeu o trabalho do centro cirúrgico e outro está no setor de enfermagem. Para o hospital está sendo bom. Aconselharia outras instituições a participarem. É claro que temos problemas, mas no final é vantajoso, opina o diretor do Hv, professor Paulo Costa.
(Edmara Michetti)


