A proposta de reformas no Regime Jurídico Único (RJU) dos servidores municipais, que a Câmara de Vereadores de Campo Mourão aprovou anteontem, em segundo turno, inclui a proibição de que os servidores se manifestem durante o trabalho. O item foi incluído no capítulo 2 do novo regimento, que trata das proibições. Do jeito que foi redigido, o item impede que os funcionários da prefeitura até mesmo conversem durante o trabalho.
Segundo o RJU, os servidores ficam proibidos de ‘‘promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição’’. De acordo com o Dicionário Aurélio, manifestação significa ‘‘ato ou efeito de manifestar-se; expressão; revelação, esclarecimento, demonstração’’. A gafe foi vista durante a tramitação do projeto na Câmara, mas uma emenda que propunha alterações na redação foi recusada.
‘‘O objetivo é apenas evitar protestos dentro da prefeitura’’, diz o relator da matéria, o vereador Izael Skowronski (PSDB). ‘‘Ninguém está proibido de falar’’. O presidente do Sindicato dos Servidores, Vanderlei Veiga Ribeiro, não se convenceu. ‘‘Querem acabar até com o nosso direito de livre expressão’’. Para ele, o item pode ser usado como perseguição política.
O prefeito Tauillo Tezelli (PSDB), que encaminhou a proposta para a Câmara, nega que esteja querendo impedir os servidores de manifestar suas opiniões. ‘‘Só queremos impedir que pessoas sejam agredidas e ofendidas dentro da prefeitura’’, ressalta. ‘‘Crítica, todo mundo pode fazer e, lá fora, podem até me xingar’’.

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