A fronteira entre Brasil e Paraguai registrou, apenas nos três primeiros meses deste ano, 76 casos de malária. A maior parte dos casos (53) ocorreu no trecho paraguaio que margeia o lago da hidrelétrica de Itaipu.
Nos 113 municípios paranaenses abrangidos pelo Distrito Sanitário da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em Foz do Iguaçu, foram constatados 23 casos da doença no primeiro trimestre deste ano.
No mesmo período do ano passado, a região teve 27 pessoas infectadas pela malária. Em todo o ano de 96 foram 54 registros. Não há levantamento sobre o número de casos da doença do lado paraguaio no primeiro semestre de 96.
O principal surto de malária na região de Foz do Iguaçu ocorreu em 1995, quando foram somados 138 registros da doença. Segundo o chefe do setor técnico da Funasa em Foz, Valdeci Delmiro da Silva, a maioria dos contaminados este ano são pescadores. ‘‘Os rios Paraná e Iguaçu, que cortam a região, e o Lago de Itaipu favorecem a procriação do mosquito transmissor da doença’’, explicou Silva.
De acordo com ele, o tipo predominante da doença na região é o vivax, considerado menos grave, mas que pode levar à morte. A malária ataca o fígado e a corrente sanguínea e é transmitida pela picada do mosquito anofelino, contaminado após picar uma pessoa infectada. Os principais sintomas são febre alta, calafrios, dor nas articulações e vômitos. Não há vacina para a doença.
Os 53 contaminados do lado paraguaio da fronteira foram atendidos em Foz do Iguaçu. Valdeci da Silva informou que a maioria é composta de brasiguaios. (brasileiros que migraram para o Paraguai). A Funasa está combatendo focos isolados do mosquito, com o uso de inseticidas, principalmente em casas às margens dos rios e do lago da hidrelétrica.

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