Região tem 58 agentes sem formação
Somente na região de abrangência da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, que inclui Londrina e mais 20 municípios, 58 aprovados no último concurso foram nomeados pelo governo do Estado e estão trabalhando sem formação na Escola Superior de Polícia Civil. Deste total, 31 estão em delegacias e distritos policiais de Londrina e 27 nas 22 delegacias subordinadas de municípios da região.
O delegado chefe da 10ª SDP, Sebastião Ramos dos Santos Neto, admite que a situação gera desconforto entre os policiais envolvidos. "Eles ficam preocupados com a carreira deles. Não ter formação atrapalha na ascensão, nas promoções", observa. Em contrapartida, ele diz que tem buscado apontar uma solução para parte do problema.
Neto sustenta que boa parte dos novos servidores da Polícia Civil já exercia anteriormente função como agentes de segurança, seja na Polícia Militar ou na Guarda Municipal. "Com isso, poderia se aplicar para estas pessoas o princípio da razoabilidade e as deixar abertas para o serviço pleno, aproveitar seus conhecimentos. Já com relação aos demais, que não passaram por nenhuma formação anterior, a solução deve vir da administração", afirma.
Apesar de Londrina não ter delegados sem formação na Escola Superior de Polícia Civil, o atual número de profissionais para exercer a função também tem gerado discussões. Hoje, Londrina tem dez delegados. Em 2004, eram 24, segundo números fornecidos pela própria 10ª SDP.
Para ajudar nas escalas de plantão, os 11 delegados das delegacias subordinadas da região foram solicitados a cumprir horário em uma das unidades de Londrina nos finais de semana, como forma de colaborar com os colegas da cidade-sede. A medida gerou desconforto inicial, mas já foi superada, segundo Santos Neto. "Estamos tentando resolver o problema com a ajuda de todos. Quem tira plantão em Londrina, folga depois na sua cidade", explica.
O presidente do Sindicato das Classes dos Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol), André Luiz Gutierrez, alerta que a prática não pode exceder a carga horária da categoria, de 44 horas semanais. Ele relata que a entidade já entrou até com ação civil pública em decorrência de carga horária excessiva e desvio de função, outro problema recorrente nas delegacias. "É complicado, porque do mesmo jeito que está faltando delegado, falta escrivão e investigador. Tem investigador em cidadezinhas trabalhando sozinhos, o mês todo de sobreaviso, sem ganhar nada a mais por isso", alerta.(A.L.)





